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sábado, 30 de janeiro de 2010

Filosofia & Cia - Ano II - Número 13 - Janeiro de 2010

Issac Newton estava certo: o mundo ainda não acabou !

Um pouco de história: Isaac Newton (1643-1727) foi um brilhante astrônomo, físico e matemático, tendo também deixado seu nome na história pelas muitas contribuições importantes na alquimia, filosofia natural e teologia. Em uma pesquisa promovida pela renomada instituição Royal Society, Newton foi considerado o cientista que causou maior impacto na história da ciência. O que pouco se conhecia era o seu lado religioso, que foi exposto com mais intensidade há poucos anos atrás, depois da divulgação de alguns manuscritos atribuídos ao cientista inglês. Em um deles, datado do começo do século XVIII, por meio dos textos bíblicos do Livro de Daniel, Newton calcula a data aproximada do apocalipse, chegando à conclusão de que o mundo deve acabar por volta do ano de 2060. "Ele pode acabar além desta data, mas não há razão para acabar antes", escreveu.

De volta ao século XXI: Novembro de 2009 - aconteceu a estréia mundial do filme 2012, uma superprodução de Hollywood que conta a saga dos que tentam desesperadamente sobreviver à catástrofe final. O ano de 2012 tornou-se o número mágico, sinônimo do fim do mundo devido a uma confluência de alguns achados proféticos. Primeiro, surgiu a tese de que a Terra será destruída com a volta do planeta Nibiru neste ano. Depois, veio à tona que o calendário dos maias (uma das esplêndidas civilizações da América Central pré-colombiana) acaba exatamente em 21 dezembro de 2012, sugerindo que se esse povo, que era tão entendido em astronomia, encerrara as contas dos dias e das noites nesta data é porque depois dela não haveria mais o que contar. E isto sem falar nos adeptos das teorias de Nostradamus e os muitos astrônomos, geólogos e cientistas de plantão que sempre descobrem um “alinhamento fatal” de planetas e outros seres estelares que, indubitavelmente, culminaria no fim de nosso pobre planeta Terra.

Dezembro de 2009 – Os países fazem as contas, reveem seus números e índices e concluem que o pior parece já ter passado. Falo de uma das piores crises econômicas mundiais que já surgiram desde o crash da bolsa de NY em 1929, que se iniciou ao final de 2008 e se arrastou durante todo o ano de 2009. As empresas passaram por um período difícil e os trabalhadores mais ainda, com os níveis de desemprego atingindo índices alarmantes em todo o mundo, com algumas instituições até então consideradas sólidas deixando de existir ou sendo amparadas financeiramente pelos governos, fato que deu ânimo aos adeptos do comunismo a ponto de fazê-los declarar o tão esperado fim da era capitalista.

Dezembro de 2009 – aconteceu a Conferência do Clima, chamada COP 15, em Copenhagem, na Dinamarca. Os grandes líderes mundiais não foram capazes de chegar a um satisfatório acordo mínimo, com metas claras e obrigatórias, que obrigasse os países desenvolvidos e em desenvolvimento a limitarem as emissões de gases que causam o efeito estufa e que têm como conseqüências o derretimento da camada de gelo dos pólos e o aumento do nível de nossos oceanos.

Reflexão: Das passagens citadas acima pode-se tirar algumas análises interessantes. Primeiramente, estamos diante de mais um fato importante que comprova não ser a ciência exatamente oposta à religião. Os referidos manuscritos de Newton mostram, conforme também atestam alguns especialistas, ter sido ele um cientista guiado por um grande fervor religioso e por um desejo de ver as ações de Deus guiando o mundo, a ponto de se engajar em cálculos mirabolantes, cujo objetivo seria elucidar o grande mistério que é a vida humana no planeta Terra e determinar, através da razão, o possível fim desta jornada. Depois, vemos algumas tentativas mais recentes de se antever o fim do mundo. Apesar de o índice de falhas destes prognósticos ser de exatos 100%, eles resistem ao tempo, à razão e à ciência.

As tentativas de explicar esse fenômeno são uma viagem fascinante pela AaAaaaa alma e pelo cérebro humano. Uma das teorias atualmente mais aceitas explica que o nosso cérebro é uma máquina programada para extrair sentido do mundo. Assim, somos levados a atribuir ordem e significado às coisas, mesmo onde tudo é aleatório, casual e fortuito. As constelações de estrelas no céu, por exemplo, são uma criação mental humana através da qual tentamos organizamos o caos estelar. Que venha 2012 !

Finalmente, a crise econômica mundial, gerada principalmente pela ganância e pela especulação, próprias do capitalismo selvagem, e o problema do aquecimento global nos mostram o que realmente se tornou a vida humana em uma sociedade globalizada e o que estamos fazendo com nosso planeta. Países pobres não têm dinheiro para pagar a conta, países em desenvolvimento não acham justo pagar a conta e países ricos não querem pagar a conta. Como nós, humanos, seres racionais, não estamos sendo capazes de nos articular em prol de nossa própria sobrevivência? Como interesses econômicos e financeiros podem se sobrepor ao interesse maior da preservação da vida na Terra, que estamos destruindo a uma velocidade assustadora? Opa ! Então não seria este o fim do mundo? Eu falei “seres racionais”?

domingo, 3 de janeiro de 2010

Filosofia & Cia - Ano I - Número 12 - Dezembro de 2009

Os ’ensaios” de Sir Francis Bacon e os jovens empreendedores brasileiros

Um pouco de história: O inglês Francis Bacon (1561-1626) foi político, filósofo e ensaísta e é considerado o iniciador do Empirismo. Desde cedo, sua educação o orientou para a vida política, na qual exerceu posições elevadas. Como filósofo, destacou-se com uma obra onde a ciência era exaltada como benéfica para o homem. Em suas investigações, ocupou-se especialmente da metodologia científica, sendo muitas vezes chamado de "fundador da ciência moderna". A produção intelectual de Bacon foi vasta e variada. De modo geral, pode ser dividida em três partes: jurídica, literária e filosófica. Sua obra literária fundamental são os Essays (Ensaios), publicados em 1597,1612 e 1625, cujo tema é familiar e prático. Alguns de seus ditos tornaram-se proverbiais e os “Ensaios” tornaram-se mundialmente famosos.

No ensaio “Da junventude e da Idade”, Bacon escreveu: "Os jovens são mais aptos para inventar do que para julgar, mais aptos para a execução do que para o assessoramento, e mais aptos para novos projetos do que para atividades já estabelecidas. (...) Os jovens, na conduta e na administração dos atos, abraçam mais do que podem segurar, agitam mais do que podem acalmar; voam para o fim sem consideração para com os meios e os graus; perseguem absurdamente alguns princípios com que toparam por acaso; não se importam em inovar, o que provoca transtornos desconhecidos. (...) Os homens maduros fazem objeções demais, demoram-se demais em consultas, arriscam-se muito pouco, arrependem-se cedo demais e raramente levam o empreendimento até o fim, mas se contentam com uma mediocridade de sucesso.”

De volta ao século XXI: O Brasil é campeão no ranking dos países onde os habitantes mais abrem seus próprios negócios. Por isso, é considerado um país de empreendedores, um país cujo povo sempre enxerga uma possibilidade de negócio em todas as coisas, onde as pessoas olham longe e sabem como desenvolver oportunidades. Porém, ao mesmo tempo, o país também é campeão em um outro quesito, pois muitas empresas abrem e fecham depois de pouco tempo de atuação. Em três anos, 56 de cada 100 negócios que são abertos fecham suas portas, sendo que as empresas criadas por pessoas jovens contribuem com mais da metade desta estatística.

Reflexão: Pode-se dizer, genericamente, que empreender é uma tarefa fácil. O difícil é transformar o empreendimento em empresa. E mais difícil ainda é fazer com que ela sobreviva ao longo do tempo, enfrentando os problemas que foram vislumbrados na época do seu planejamento e, principalmente, enfrentando os problemas que não foram visualizados nesta fase. E há ainda os casos (que não são poucos) de empreendimentos que iniciaram as atividades sem sequer um mínimo de planejamento ! O que mais se exige no mundo de hoje, tanto dos jovens empreendedores quanto das pessoas mais maduras, é que eles têm que ser competentes para manter suas empresas. Normalmente, o empreendedor é movido pelo seguinte pensamento: "Gosto de uma coisa, então vou trabalhar com isso". Talvez por isto, os jovens empreendedores, por serem mais ousados e, talvez, menos responsáveis, falham tanto. Na prática, não basta o dono do novo negócio gostar da ideia, tem que saber fazer bem feito e, principalmente, os consumidores e clientes têm que gostar dos produtos e dos serviços oferecidos.

Uma boa prática talvez seja aliar o dinamismo, a ousadia e a vontade dos mais jovens com a experiência, a calma e a maturidade dos mais velhos em um mesmo negócio. Como diria ainda Sir Francis Bacon: “Não há dúvida de que é bom forçar o emprego de ambos, porque as virtudes de qualquer um deles poderão corrigir os defeitos dos dois”. Desejo a todos um 2010 melhor que 2009, com muitas realizações pessoais e profissionais. Nos vemos em Janeiro. Um abraço a todos e até lá.

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Filosofia & Cia - Ano I - Número 11 - Novembro de 2009

Os “Trainees” e a teoria da Tabula Rasa de John Locke

Um pouco de história: John Locke (1632-1704), inglês, foi um filósofo cuja área de influência é bastante abrangente. Na política, é considerado o pai do liberalismo, assim como o conhecemos hoje, uma filosofia política que preza a autonomia moral e econômica da sociedade civil em oposição à concentração do poder político. Foi autor de dois tratados de governo que inspiraram a monarquia inglesa, a constituição dos Estados Unidos e os ideiais iluministas franceses. Na filosofia, foi autor de uma teoria do conhecimento inovadora, que investigou o modo como a mente capta e traduz o mundo exterior. Na educação, compilou uma série de preceitos sobre aprendizado e desenvolvimento.

Considerado o protagonista do Empirismo (movimento que acredita nas experiências como principais formadoras das ideias, discordando, portanto, da noção de ideias inatas), o fundamentou em sua teoria da tabula rasa (do latim, "folha em branco”), através de seu livro ‘Ensaio acerca do Entendimento Humano’, de 1690. Para Locke, todas as pessoas ao nascer o fazem sem saber de absolutamente nada, completamente sem impressões, sem conhecimento algum. Então, todo o processo do conhecer, do saber e do agir é aprendido pela experiência, pela tentativa e erro. A ideia de que o homem nasce como se fosse uma "folha em branco", foi muito importante em sua época pois considerava todos os homens como intrinsecamente iguais, dando uma base filosófica para combater o status quo vigente, especialmente em relação à aristocracia e à nobreza.

De volta ao século XXI: Certamente o leitor já ouviu falar nos famosos programas de trainees, uma forma de seleção bastante rigorosa de jovens talentos para trabalhar em grandes empresas. Inicialmente, era uma prática adotada apenas por multinacionais, mas, hoje em dia, praticamente toda empresa média ou grande possui programas similares.

O leitor deve também já ter ouvido ou lido histórias de jovens que iniciaram suas carreiras como trainees e hoje fazem parte da direção ou assumiram a presidência de uma empresa ou grupo. E isto realmente é fato. Por terem ingressado na empresa ainda jovens, recém saídos da universidade, e com todo o gás, conseguiram subrir degrau a degrau, conhecendo bem toda a organização e seus processos administrativos e operacionais, culminando com o posto mais elevado e mais desejado do alto escalão.

Reflexão: Apesar de ser considerada ultrapassada pelas evidências científicas da influência genética no comportamento humano, interesa-nos aqui a teoria da tabula rasa devido a sua ampla aplicação nas organizações do mundo moderno. A esta altura, o leitor deve estar se perguntando: qual a lógica que está por trás destes programas ? A resposta é bastante simples e coerente com o pensamento de Locke. Quando se admite alguém que veio de outra empresa, sua “experiência”, que, na maioria das vezes é importante e positiva para quem o contrata, pode se tornar um ponto negativo em algumas circunstâncias.

Explico: o fato de o trabalhador já ter feito a tarefa de uma outra maneira, pode fazer com que ele, de forma inconsciente, tente reproduzí-la do mesmo jeito que aprendeu ou se acostumou. É uma tendência natural do ser humano, que pode bloquear a criatividade e a inovação, fundamentais para as empresas baseadas em conhecimento dos tempos atuais. Esta experiência anterior, que pode inclusive ser um “vício” (usado no bom sentido da palavra), pode atrapalhar mais do que ajudar, dependendo da situação.

Por outro lado, quando o jovem chega a uma empresa vindo de uma faculdade ou universidade, “sua folha está em branco”, a cabeça está aberta para continuar aprendendo e toda a sua motivação está à serviço de seu primeiro empregador. Desta forma, ele vai despender toda a sua energia no entendimento de como a empresa funciona e, principalmente, pensando no que fazer para que ela torne seus processos mais eficientes e seja mais eficaz nos seus resultados. São também fortemente preparados para enfrentar problemas de relacionamento e outras questões que envolvem relações interpessoais.

Uma outra característica destes programas é que o jovem passa por praticamente todas as áreas da empresa, conhecendo desde o “chão da fábrica” até os processos mais complexos de tomada de decisão gerencial. Esta experiência adquirida se mostrará bastante útil quando, no futuro, ao se tornar gestor da empresa, terá mais facilidade em entender e valorizar o trabalho realizado em cada departamento, conhecendo seus pontos fortes e fracos.

Também é verdade que os trainees muitas vezes são vistos com olhos de “inveja” por parte dos colaboradores mais antigos da empresa. Isto acontece porque são jovens altamente talentosos e capazes, com uma motivação enorme e alta capacidade de aprender e inovar. Também porque todos sabem que, muito provavelmente, alguns daqueles jovens, no futuro, poderão ser os seus chefes. O que muitos consideram uma injustiça, a empresa considera como uma oportunidade, afinal de contas, na sociedade da informação e do conhecimento, o que mais vale não é o tempo de casa, mas o quociente intelectual (QI) e emocional (QE) do colaborador.

sábado, 24 de outubro de 2009

Filosofia & Cia - Ano I - Número 10 - Outubro de 2009

René Descartes e a inovação, motor do mundo moderno

Um pouco de história: Também conhecido como Renatus Cartesius, viveu entre 1596 e 1650 e deixou seu nome na história da Física e da Matemática, sendo uma das figuras-chave da Revolução Científica. Sugeriu a fusão da álgebra com a geometria, fato que gerou a geometria analítica, tendo inventado também o sistema de coordenadas que ficaram conhecidas como coordenadas cartesianas. Porém, seus trabalhos mais revolucionários aconteceram na Filosofia, sendo chamado “o fundador da filosofia moderna”. Inspirou contemporâneos e várias gerações de filósofos posteriores, podendo-se dizer que boa parte da filosofia escrita a partir de então foi influenciada por ele ou foi uma reação às suas obras. Embora a maior parte de seu trabalho seja consagrado às ciências, o que Descartes mais quis foi conseguir um modo de chegar a verdades concretas. Sua filosofia, exposta principalmente em “O discurso sobre o Método", o mais amplamente lido de todos os seus trabalhos, é a proposta de meios para tal. O seu método para o raciocínio correto é "nunca aceitar qualquer coisa como verdade se essa coisa não pode ser vista clara e distintamente como tal”. Isto implica na rejeição de todas as idéias e opiniões aceitas, a determinação a duvidar até ser convencido do contrário pela evidência dos fatos.

De volta ao século XXI: Vejamos algumas notícias da semana coletados em um site especializado em inovações tecnológicas: - Criado um revestimento do tipo filme plástico que pode ser aplicado a diversas superfícies e que permite a limpeza do óleo usando apenas água, dispensando até mesmo o sabão! - Nasa afirma que astronautas poderão ser enviados a “buracos gravitacionais”! - Elo perdido da eletrônica permitirá em futuro próximo a criação do “computador que aprende”! Inovação é, pois, o processo que inclui as atividades técnicas, concepção, desenvolvimento, gestão e que resulta na comercialização de novos (ou melhorados) produtos, ou na primeira utilização de novos (ou melhorados) processos. Inovação significa novidade ou renovação. A palavra é derivada do termo latino innovatio, e se refere a uma idéia, método ou objeto que é criado e que pouco se parece com padrões anteriores. Hoje em dia, aceita-se que invenção é uma nova ideia ou um novo produto e a inovação é a melhoria de algo já inventado. Trata-se da não aceitação das coisas como são, ou melhor dizendo, das coisas como estão. É duvidar constantemente que as coisas não podem ser melhoradas ou já atingiram o seu máximo, ou a sua verdade, dentro do processo de criação. É acreditar que paradigmas existem para serem quebrados e que uma nova fase pode se iniciar antes mesmo que a fase anterior tenha teminado completamente.

Reflexão: É muito fácil constatar que o foi dito anteriormente sobre a inovação não acontece apenas com produtos tecnológicos ou é privilégio de países altamente industrializados ou povos desenvolvidos. Vivemos em um mundo que muda constantemente, a alta velocidade, e que demanda de todos um elevado grau de inovação e mudança. Acontece comigo, com você, amigo leitor, com todos nós e também dentro das empresas e organizações que dirigimos ou onde trabalhamos. Neste contexto, inovação pode ser também entendida como “fazer mais com menos recursos”, permitir ganhos de eficiência em processos, quer produtivos, administrativos, financeiros ou na prestação de serviços, sendo o motor de competitividade do mundo moderno. A inovação, quando cria aumentos de competitividade, pode ser considerada um fator fundamental no crescimento econômico de uma sociedade e de um país.

Enfim, podemos dizer que, além de suas fundamentais contribuições para a Geometria e a Ótica, para o entendimento do universo e da mecânica dos corpos, Descartes também deixou como grande legado à humanidade o poder do pensamento e do raciocínio (“cogito, ergo sum”, ou “penso, logo existo”), a dúvida constante, o repúdio à acomodação e uma eterna insatisfação com as verdades do mundo que nos cerca.

Observe se já sentiu a seguinte sensação: você está parado em um semáforo, com carros ao seu lado (funciona também quando de ônibus, parado em uma rodoviária, com outros ônibus ao lado). Quando eles andam pra frente antes de você, a sensação é de que você está andando para trás. É ou não é ? Pois bem, nos dias de hoje acontece exatamente isso, quem não inova fica parado. E quem fica parado, na verdade, anda para trás, pois seu concorrente está se movimentando para a frente ! Nos vemos novamente em Novembro. Um abraço a todos e até lá.

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Filosofia & Cia - Ano I - Número 9 - Setembro de 2009

Nicolau Maquiavel e os seres da “pólis Brasília”

Um pouco de história: Nicolau Maquiavel nasceu em Florença, Itália, em 1469. Seguindo o espírito renascentista, inovador, desejou superar o medieval e sugeriu separar os interesses do Estado dos dogmas e interesses da Igreja. Passou a sua infância e adolescência em um ambiente conturbado, onde nenhum governante conseguia se manter no poder por um período superior a dois meses, o que explica boa parte de suas idéias. Esmagar ou reduzir à impotência a oposição interna, atemorizar os súditos para evitar a subversão e realizar alianças com outros principados constituíam o eixo principal da administração da época. Ao escrever “O Príncipe”, em 1513, Maquiavel expressou a necessidade de um monarca com pulso firme, determinado, que fosse um legítimo rei e que defendesse seu povo. Para ele, o príncipe não devia medir esforços nem hesitar, mesmo que diante da crueldade ou da trapaça, se o que estivesse em jogo fosse a integridade nacional e o bem-estar do seu povo.

De volta ao século XXI: Brasília, Agosto de 2009. Depois de inúmeras denúncas envolvendo atos secretos, corrupção e nepotismo e diante de uma grande pressão de colegas congressitas e do povo em geral pedindo sua renúnica, o presidente do Senado, senador José Sarney decidiu não arredar o pé e fazer conchavos e acordos tentar permancer no poder. Entre as ações que estão sendo vistas está o ataque àqueles que pedem sua saída, usando armas muitas vezes imorais e anti-éticas. Outra defesa consiste em montar uma “tropa de choque” para sua defesa, que é liderada pelos senadores Renan Calheiros(que já ocupou a mesma cadeira hoje ocupada por Sarney e da qual renunciou depois de inúmeros escândalos e denúncias) e Fernando Collor de Mello (o ex-presidente que foi impedido de continuar seu governo depois de um processo de impeachment), contando com o apoio do presidente Lula e de seu partido político. Na mídia, Sarney constantemente se declara inocente e diz ser vítima de perseguição, além de insistir que está sendo mal interpretado em suas palavras e ações.

Reflexão: É incrível constatar como a obra de Maquiavel faz parte não apenas da história da humanidade, mas também da vida cotidiana atual, já que é amplamente aplicável a todos os tempos, inclusive os nossos. A contribuição dele, que é reconhecido como um dos maiores pensadores da história da humanidade, é imensa. Tratou de ensinar, através da sua obra, a políticos e governantes. É possível também perceber que, fingindo ensinar aos governantes, ensinou também ao povo.

Ao escrever “O Príncipe”, criou um "manual da política", que pode ser interpretado de muitas maneiras diferentes. Talvez resida aí o porquê do fato de o próprio Maquiavel ser, em grande parte das vezes, tão mal interpretado. Certamente ele não era o vilão que as pessoas pensam e o termo “maquiavélico” tem sido constantemente mal usado, em contextos que não condizem com o original. Já ficou comprovado que ele nunca chegou a escrever a sua frase mais famosa, que muito provavelmente o leitor já leu, ouviu, ou até mesmo já falou: "os fins justificam os meios". Ao pronunciar estas palavras, não quis dizer que qualquer atitude é justificada dependendo do seu objetivo. É muito provável que tenha querido dizer que os fins determinam os meios, ou seja, é de acordo com os objetivos que se deve traçar os planos de como atingi-los. O “maquiavelismo” está sempre associado a um procedimento astucioso, velhaco e de caráter traiçoeiro. Estas expressões pejorativas têm sobrevivido ao longo do tempo e não se limitam ao cenário político, se espalhando para as desavenças do cotidiano. Talvez esteja na hora de se fazer justiça ao pensador, difundindo amplamente suas idéias e esclarecendo as pessoas quanto ao real significado de termos tão mal interpretados.

Ah, quase que me esqueço deles: quanto aos nossos políticos, aqueles seres que habitam a “polis Brasília”, e que se dizem injustiçados e mal interpretados, o tempo (e tenho esperança, também o povo brasileiro, ao aprender a dar mais valor ao seu voto) se incumbirá de mostrar-lhes o seu verdadeiro lugar na história. Lugar este que está a anos-luz de distância e muitíssimo abaixo do lugar ocupado por Nicolau Maquiavel. Quem viver, verá. Nos vemos em Outubro. Um abraço a todos e até lá.

sábado, 15 de agosto de 2009

Filosofia & Cia - Ano I - Número 8 - Agosto de 2009

A ousadia de Erasmo e o fim do Vestibular

Um pouco de história: No período de transição da Idade Média para a Idade Moderna, o pensamento nascente defendia a liberação da criatividade e da vontade do ser humano, em oposição ao pensamento escolástico, segundo o qual todas as questões terrenas deviam subordinar-se à religião. O antropocentrismo, predomínio do humano sobre o transcendente, era o eixo desta nova filosofia, que seria posteriormente conhecida como Humanismo. Embora fosse profundamente cristão, o filósofo holandês Erasmo de Roterdã (1469-1536) entrou para a história justamente por se opor ao domínio da Igreja sobre a educação, a cultura e a ciência. Era necessária uma boa dose de ousadia para ir contra a influência religiosa que dominava sua época, e era justamente a ousadia que fazia parte das atitudes que um número crescente de intelectuais começava a enaltecer naquele período de profundas transformações.

De volta ao século XXI: O Ministério da Educação (MEC) divulgou nas últimas semanas medidas que devem mudar radicalmente a educação em nosso país. Primeiro anunciou o fim do Vestibular, nos moldes que conhecemos hoje, que será substituído pelo ENEM (Exame Nacional do Ensino Médio). Depois, anunciou um projeto piloto a ser realizado em 100 escolas estaduais a partir do ano que vem, cujo objetivo é acabar com o currículo escolar fragmentado e terminar com a divisão do saber em disciplinas, trabalhadas de forma isolada e sem nenhum contexto com a realidade do mundo.

Reflexão: Vamos começar nossa reflexão pelo fim da fragmentação do currículo, que é uma atitude louvável, embora complexa e de difícil implementação. O saber é único e as disciplinas não são conhecimentos isolados. Muito pelo contrário, a Química “conversa” o tempo todo com a Física, assim como a História está “intimamente ligada” ao Português. Mas não basta acabar com as disciplinas, ou agrupá-las em grandes grupos, como por exemplo, línguas, raciocínio lógico, humanidades e saúde. Os professores devem ser treinados e capacitados a esta nova realidade, pois estão muito acostumados a atuar de forma isolada, sem interagir com outros professores e outras matérias, pois é assim que aprenderam em sua época de estudantes e é assim que praticam no seu dia-a-dia escolar. A partir de agora, deverão transmitir seu conteúdo de forma integrada, trabalhando em equipe com outros docentes. O conceito de projetos e a interdisciplinaridade ganham muita força com esta nova ideia.

Quanto ao fim anunciado do velho e tradicional Vestibular, o novo ENEM, como está sendo chamada a prova que o irá substituir na grande maioria das faculdades e universidades do país, é uma prova que valoriza muito mais o raciocínio, a comparação, o poder de síntese, de análise e a observação do aluno. Tudo muito diferente das provas que acontecem hoje em dia, onde o estudante precisa decorar um grande volume de informações, privilegiando mais o processo de memorização de fórmulas, datas, nomes e fatos históricos, o que acarreta uma carga de estresse muito elevada para nossos jovens. Trata-se de uma excelente medida, que tende a modificar toda a educação no país, pois os ensinos fundamental e médio fluem muito em função do acesso ao nível superior e, mudando o estilo do processo seletivo, a tendência é uma revisão geral, de cima para baixo, das estratégias de ensino.

Diferentemente de Erasmo, cuja ousadia maior foi lutar contra o domínio da Igreja sobre a educação, nos dias atuais, a grande ousadia do MEC é mexer em um processo tradicional e enraizado, mas que, a olhos vistos, já não é adequado a nossa realidade. Estas medidas ousadas e corajosas são muito necessárias e tendem a causar uma grande revolução na educação do Brasil. Como, infelizmente, não é raro ver em nosso país ótimas ideias se transformarem em grandes fracassos, resta-nos torcer para que sejam bem implementadas e que possam fazer surtir os efeitos tão desejados por todos nós. Nos vemos em Setembro. Um abraço a todos e até lá.

segunda-feira, 13 de julho de 2009

Filosofia & Cia - Ano I - Número 7 - Julho de 2009

São Tomás de Aquino e as idéias de Charles Darwin

Um pouco de história: Numa época em que a Igreja ainda buscava em Santo Agostinho grande parte de sua sustentação doutrinária, São Tomás de Aquino (1224-1274) formulou um amplo sistema filosófico que conciliava a fé cristã com o pensamento grego de Aristóteles. Não se tratava apenas de adotar princípios opostos aos dos agostinianos, que se inspiravam no idealismo de Platão (corrente chamada, por este motivo, de neoplatonismo), mas cultivar o princípio aristotélico de que cabe à razão ordenar e classificar o mundo para entendê-lo. O pensamento de Aristóteles respondia melhor aos “novos tempos” do que o neoplatonismo e a ideia do tomismo (como é chamada a filosofia inaugurada por Tomás de Aquino) era de levar para dentro da Igreja um pensamento que não concebia um Deus criador nem a vida após a morte.

De volta ao século XXI: Estamo comemorando em 2009 o bicentenário de nascimento de Charles Darwin, o pai da teoria da evolução das espécies. As ideias revolucionárias do naturalista inglês são os pilares da biologia e da genética e estão presentes em muitas áreas da ciência moderna. Sem a teoria da evolução, a moderna biologia, incluindo a medicina e a biotecnologia, simplesmente não faria sentido. Os cinco pilares do Darwinismo são a evolução dos seres vivos (o mundo não foi criado por ninguém, nem é imutável, e que os organismos estão em um lento e constante processo de mutação); o ancestral comum (cada grupo de organismos descende de um ancestral comum e todos os grupos remetem a uma única origem da vida na Terra, a ameba original); a multiplicação das espécies (elas tendem a se diferenciar, criando novas espécies); o gradualismo (as populações se diferenciam gradualmente, de geração em geração) e a seleção natural (os seres vivos sofrem mutações genéticas e podem passá-las a seus descendentes, que têm sua herança genética posta à prova pelas condições ambientais em que vivem).

Apesar de plenamente aceito e celebrado como um ponto de partida para um grau de conhecimento sem precedência sobre os seres vivos, o evolucionismo de Darwin vem sendo deixado de lado em algumas escolas, que preferem ensinar às crianças e aos jovens, nas aulas de ciências, a teoria do criacionismo. Trata-se da explicação bíblica para a origem da vida, cuja ideia básica é a de que Deus criou tudo, desde o homem, a mulher, os animais, as plantas, há 6.000 anos. Como explicar esta atitude, caro leitor, principalmente se destacarmos que este fato não vem acontecendo apenas em países pobres, ignorantes e subdesenvolvidos, mas nos EUA, na Inglaterra e em outros países campeões na produção científica ? Como entender que apenas um em cada dois americanos ou um em cada quatro ingleses acreditam que o homem é produto de milhões de anos de evolução ?

Reflexão: A explicação certamente tem conotação religiosa e passa pelo fato de que a descoberta dos mecanismos da evolução enfraqueceu o único bom argumento disponível para a existência de Deus. A biologia desmentiu a natureza especial do homem e o relegou à posição de um “mero descendente do mundo animal”. Impacto semelhante só é comparável com a descoberta por Copérnico que a Terra não era o centro do universo. Talvez estes tenham sido os dois mais fortes golpes contra a auto-estima da humanidade. Infelizmente, a teoria da evolução é percebida por alguns como uma arma projetada para destruir a religião, a moral e o potencial dos seres humanos. Ciência e religião já andaram de mãos dadas pela maior parte da história humana, mas Darwin foi, seguramente, um dos responsável por esta separação. Tudo bem que suas teorias causam mal-estar em muita gente, mas difícil de aceitar são os casos em que o darwinismo é considerado um inimigo a ser combatido.

Manda o bom senso que não se misturem ciência e religião. A primeira se preocupa com os mistérios do mundo físico, enquanto a segunda, os mistérios do mundo espiritual. Porém, elas não necessariamente se eliminam, vide o fato de que Darwin era religioso e chegou a se preparar para ser pastor da Igreja Anglicana. Elaborar uma teoria que ia contra os dogmas da Bíblia era para ele motivo de enorme angústia. Darwin nunca declarou que a Bíblia estava errada e manteve sua fé religiosa até os últimos anos de sua vida.

É claro que em sua fé, os criacionistas têm o pleno direito de acreditar que Deus criou o mundo e tudo o que existe nele, mas coisa bem diferente é impor esta maneira de enxergar a natureza às crianças em idade escolar, renegando fatos já plenamente comprovados pela ciência. Esta atitude nega às crianças os fundamentos da razão, substituindo-os pelo pensamento sobrenatural. Não há problemas também no fato de que o criacionismo seja dado nas aulas de religião, mas ensiná-lo na aula de ciências é um ato que pode trazer graves consequências, pois ele não é adequado para ser ensinado em aulas de biologia para explicar a origem das espécies, pois faz com que os jovens desde cedo confundam crença e superstição com razão e ciência.

P.S: A coluna deste mês se valeu de informações publicadas na Revista Veja do mês de Fevereiro de 2009

segunda-feira, 18 de maio de 2009

Filosofia & Cia - Ano I - Número 5 - Maio de 2009

Santo Agostinho e o novo papel do líder nas organizações

Um pouco de história: Santo Agostinho foi o mais influente pensador ocidental dos primeiros séculos da Idade Média (476-1453). A ele se deveu a criação de uma filosofia que, pela primeira vez, deu suporte racional ao cristianismo. Através de seu pensamento, a crença ganhou substância doutrinária para orientar a educação e, à medida que a Igreja se tornava a instituição mais poderosa do Ocidente, sua filosofia, condicionada à fé religiosa e à ética cristã, definia a cultura de seu tempo. Em algumas de suas obras apresenta a doutrina do mestre interior. A ideia é que o mestre não ensina sozinho, mas depende também do outro e, sobretudo, de uma verdade comum aos dois. Assim, o professor (ou o líder, dependendo do contexto) mostra o caminho e o aluno (ou o subordinado) o adota. Assim, o saber brota em seu interior. Esta é a teoria de que “a pessoa que ensina não transmite, mas desperta”.

De volta ao século XXI: No cenário turbulento em que vivemos, a espiritualidade desponta como um caminho para uma relação mais saudável entre os funcionários e as empresas em que atuam, considerando o trabalho como parte de algo que transcende os aspectos materiais e contempla, também, as dimensões psíquicas, sociais e espirituais. As pessoas estão buscando, cada vez mais, alguma coisa que diminua a tormenta do cotidiano e as impeça de serem tragadas pelo mundo do trabalho. Muitos líderes se mostram mais preocupados em servir a seus funcionários do que em dar ordens. Seu maior propósito é ajudar sua equipe a se desenvolver, alinhando suas necessidades e valores aos da empresa. Esta é a teoria do líder servidor, cada vez mais valorizada e adotada em todo o mundo.

Reflexão: Em sua opinião, caro leitor, por que empresas e líderes passaram a agir desta forma ? Na minha opinião, é para compensar a pressão, cada vez maior, que vem sendo colocada sobre os funcionários. Quem acredita que está na empresa só para receber o pagamento no fim do mês, cedo ou tarde, acaba sucumbindo ao cotidiano e à mesmice de suas tarefas rotineiras. O fim, normalmente, é uma alta dose de estresse e depressão. Por outro lado, quando estão conscientes do seu papel na empresa e na sociedade, gostam do que fazem e acreditam nos valores da organização, os profissionais se sentem muito mais felizes e motivados. E quem acredita que há mais coisas nesta vida, além de um contracheque no final do mês, tem mais chances de ser uma pessoa melhor e trabalhar com mais disposição e eficiência. Como conseqüência de tudo isto, vem a produtividade, a criatividade e a inovação.

Certamente cada um de vocês poderá me dizer que conhece pessoas que não agem desta forma. São denominados chefes, mas possivelmente não devem ser bons líderes. E, realmente, muitos executivos ainda acham que, pelo fato de estarem no comando, seus funcionários é que têm de servi-los. Mas isso já não funciona bem nos dias atuais. As empresas precisam contar com o coração, a mente e o espírito dos seus colaboradores. E só se consegue isso quando o líder deixa de lado o desejo do poder e passa a servir, em vez de ser servido. Com essa filosofia, o líder e seu time normalmente conseguem superar metas previstas, conseguindo excelentes resultados.

Este modelo não é novo, mas só agora vem ganhando força, como um reflexo do crescente movimento de espiritualidade nas organizações. Essa corrente é uma resposta à alarmante crise existencial que assola o universo corporativo. Muitos profissionais já não querem mais atuar numa empresa que tem valores tão diferentes dos seus. Não estão mais dispostos a abrir mão da vida pessoal e precisam ver sentido naquilo que fazem. E, neste cenário, cabe ao novo líder o papel de incentivar o desenvolvimento espiritual de sua equipe. As empresas vencedoras sabem que a inovação e a ambição vêm do coração. Se o colaborador não trabalha com o coração, não é competitivo como deveria ser. E a empresa muitas vezes paga um alto preço por isto, perdendo mercado para suas concorrentes.

Trata-se de uma teoria um tanto quanto óbvia e muito singela, a ponto de Santo Agostinho a considerar normal, se vivesse em nossos tempos. Mas é essa a postura que vai garantir a competitividade das empresas nos próximos anos. E, quem não perceber sua importância, corre o risco de ficar fora do mercado. Nos vemos em Junho, quando estaremos comemorando a centésima edição deste Jornal. Até lá e um abraço a todos.

quarta-feira, 22 de abril de 2009

Filosofia & Cia - Número 4 - Abril de 2009

Aristóteles e a ciência no Brasil

Um pouco de história: De todos os grandes pensadores da Grécia antiga, Aristóteles (384-322 a.C) foi o que mais influenciou a civilização ocidental. Até hoje, o modo de pensar e produzir conhecimento deve muito ao filósofo, que foi o fundador da ciência que ficaria conhecida como lógica. Aristóteles toma sempre o fato como ponto de partida de suas teorias, buscando na realidade um apoio sólido às suas mais elevadas especulações. Depois de estudar as leis do pensamento, aplica o processo dedutivo e indutivo com rara habilidade, criando uma terminologia filosófica de precisão admirável. Pode-se considerar como o autor da metodologia e tecnologia científicas, o que lhe dá o título de verdadeiro fundador da ciência moderna.

De volta ao século XXI: Trago agora para você, leitor, alguns números interessantes que vão servir de base para a nossa reflexão. Enquanto nos EUA há 800 mil cientistas e engenheiros fazendo pesquisa e desenvolvimento em empresas, na Coreia do Sul há 75 mil, e no Brasil há menos de 10 mil. O resultado é que os EUA registram algo em torno de 50.000 patentes ao ano, sendo uma boa parte delas registrada pela iniciativa privada. A Coréia registra algo em torno de 1.500 patentes e o Brasil apenas 56. Além disso, em nosso país, algo em torno de 25% dos mestres e doutores trabalha em áreas produtivas como prestação de serviços, comércio e indústrias, sendo que o restante, ou seja, 75% destas cabeças, está alocada nas universidades, em sua grande maioria nas entidades públicas. Vocês sabiam que em países mais avançados de primeiro mundo, este índice é exatamente o oposto do brasileiro? É verdade. Apenas 25% dos engenheiros e cientistas, mestres, doutores e Phd’s daqueles países continuam dentro das universidades transmitindo o saber às novas gerações. A grande parte, os tais outros 75%, trabalha em setores produtivos da economia, principalmente nas indústrias.

Reflexão: Como vocês já devem estar imaginando, o fato de existir um grande número de cabeças privilegiadas trabalhando em setores produtivos proporciona aos países mais desenvolvidos a criatividade e a inovação necessárias à criação de novos produtos e novos processos de produção. Isto faz com que estes países evoluam e se tornem cada vez mais ricos, vendendo suas invenções e inovações a países sub-desenvolvidos e em desenvolvimento, como o Brasil, por exemplo. Este processo está sendo chamado mundialmente de “Economia do Conhecimento”, e vem mudando a forma de vida de uma sociedade agora chamada “Sociedade da Informação e do Conhecimento”, que já foi comentada em uma de nossas colunas anteriores. Como grande parte de nossas empresas quase não empregam mão de obra mais especializada, por serem consideradas “caras“ demais, seria importante uma política pública de incentivo à contratação de cientistas, talvez através da diminuição de impostos trabalhistas ou através de uma política de subsídios e premiações.
Conseguimos explicar os fracos números brasileiros através da história. Neste país tropical, cujo nome deriva de uma árvore, a exportação de pau-brasil para extrair o corante não foi acompanhada pelo desenvolvimento da compreensão dos corantes ou da conservação das árvores que o produziam. Hoje em dia, somos um grande exportador de minérios, por exemplo, mas somos também grandes consumidores de produtos industrializados importados que têm por base estas mesmas matérias-primas. A produção organizada de ciência no Brasil começou há muito pouco tempo. Mas como podíamos organizar a ciência se a Coroa portuguesa evitou a todo custo a organização de universidades em sua colônia? Onde os cientistas poderiam conversar se a Academia Brasileira de Ciências foi fundada há menos de 80 anos?
Apesar de nosso país reconhecer que o desenvolvimento da ciência moderna depende cada vez mais do papel do Estado e que a crescente aplicação dos novos conhecimentos adquiridos através da pesquisa científica justifica largamente os investimentos realizados, o investimento público em ciência vem caindo drasticamente ao longo dos anos. Equipamentos estão se deteriorando pela absoluta falta de uma infra-estrutura de manutenção. Faltam, em número e qualidade, técnicos especializados. As bibliotecas públicas não se mantêm atualizadas e, como consequência, a quantidade, a eficiência e a qualidade da produção científica caem drasticamente.
Desde a revolução industrial, a evolução da ciência é inseparável da sua aplicação no mundo desenvolvido. Nos tempos modernos, a ciência é a responsável pelo desenvolvimento social, político, econômico e tecnológico de uma nação. Se não tratarmos com a devida atenção a educação, se a pesquisa científica não passar a fazer parte de nossa cultura, se não tivermos condições para gerar conhecimento científico e, sobretudo, se não aprendermos a utilizá-lo, então o desejo de modernização e de competitividade para a nação ficará simplesmente no discurso, na retórica
Mal sabia Aristóteles que, mais de dois mil anos após sua morte, a ciência fundada por ele seria o diferencial do mundo, o ponto crucial que separa e marginaliza nações e povos e também que divide águas entre pobres e ricos do planeta Terra. Gosto sempre de imaginar qual seria a reação do filósofo se voltasse a viver nos dias de hoje. Imagine você também. Nos vemos em Maio. Um abraço a todos e até lá.

terça-feira, 17 de março de 2009

Filosofia & Cia - Ano I - Número 3 - Março de 2009

As idéias de Platão e a Educação no Brasil

Um pouco de história: Muitos estudiosos consideram Platão o primeiro pedagogo que existiu. O filósofo grego, discípulo de Sócrates, viveu no século IV a.C., tendo concebido um sistema educacional integrado a uma dimensão ética. Platão começa por defender uma sólida formação básica que evolui até elevados estudos filosóficos, considerando que só indivíduos especialmente dotados poderiam chegar à filosofia. Para se chegar a este nível de educação, seria necessário passar por um nível de formação básica, ao qual deu o nome de educação preparatória, que teria por função desenvolver de forma harmoniosa o espírito e o corpo. Segundo relatos de Platão, a cidade de Atenas negligenciava a educação de sua juventude, desinteressava-se e deixava-a nas mãos dos particulares. Segundo ele, o Estado deveria se preocupar mais com a formação daqueles que seriam os seus futuros cidadãos.

De volta ao século XXI: Segundo uma pesquisa sobre a educação brasileira divulgada na revista VEJA em Agosto de 2008, 60% dos estudantes chegam ao fim da 8ª. série sem saber interpretar um texto ou efetuar operações matemáticas simples e algo em torno de 16% repetem a 1ª. série do ensino fundamental. Em uma lista de 57 países, o Brasil está em 52º lugar em Ciências e em 53º lugar em Matemática. Exames nacionais e internacionais mostram que nossos estudantes têm dificuldade em formular suas ideias, escrever e de compreender o que leem. Em uma outra pesquisa, o Brasil se colocou em 136º lugar no ranking de repetência do Ensino Fundamental entre 150 países pesquisados. A taxa de reprovação brasileira caiu nos últimos anos, mas ainda é alta, 19% contra apenas 3% da média mundial.

Reflexão: Infelizmente, vivemos em um país onde a educação vem sendo tratada, há décadas, como política de governo e não como política de estado, de forma que regras são mudadas a cada novo presidente, sendo inventados novos modelos e novas formas de avaliação e regulação. Nos últimos tempos, nem política de governo estamos tendo, pois cada vez que muda o Ministro da Educação, no mesmo governo, muda tudo outra vez! Estamos vivendo uma “política de ministros” no setor da educação ! Acho que o leitor há de concordar comigo que, desta forma, não conseguimos os avanços nesta área, que é tão necessária e fundamental ao nosso país ! Ao invés de sempre “reinventarmos a roda”, deveríamos nos espelhar em exemplos de países com características semelhantes ao Brasil e que implementaram políticas educacionais de sucesso, como Coreia do Sul e Chile. Eles estavam há algumas décadas atrás em situação idêntica à brasileira, mas hoje estão muito à nossa frente, graças a políticas públicas sérias e duradouras na área educacional.
E o governo Lula ? Ao meu ver, vem tratando o assunto de trás para frente. Primeiro focou o ensino superior e só agora voltou os olhos para a educação básica. Começou mudando o sistema de ingresso ao ensino superior através do ENEM (Exame Nacional do Ensino Médio) e o polêmico sistema de cotas raciais, além de financiar o estudo das classes menos favorecidas através do programa de crédito educativo chamado PROUNI e aumentar o número de universidades públicas em todo o país. São medidas importantes, não restam dúvidas, e que seguramente vão melhorar os índíces relativos ao ensino superior do país.
Entretanto, um questionamento é importante realizar: qual o nível destes alunos que estão chegando ao 3º grau ? Pesquisas revelam que algo em torno de 50% dos jovens que estão tendo acesso à universidade através destes programas não passam no primeiro período dos cursos escolhidos, mesmo nas faculdades mais fracas, pois falta-lhes uma base mais sólida do ensino fundamental e médio, normalmente cursados em escolas públicas. A solução certamente passa pelo fortalecimento dos anos escolares iniciais das escolas públicas, de forma que as vagas então geradas nas universidades possam ser ocupadas por alunos mais bem preparados e menos sujeitos a reprovações e evasão escolar.A educação preparatória conceituada por Platão, básica para a formação sólida do cidadão, nunca se fez tão necessária como no Brasil deste novo século. Também suas preocupações no que diz respeito ao desprezo das autoridades pela educação básica e ao papel dos particulares no ensino também ecoam como sérios problemas do nosso país. O tempo passa, o tempo voa. E parece que as angústias que afligem a humanidade continuam as mesmas. E a Filosofia, mãe de todas as ciências, nos prova ser capaz de nos ajudar, olhando o passado, conduzindo o presente e iluminando o futuro. Nos vemos em Abril. Um abraço a todos e até lá.

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

Filosofia & Cia - Ano I - Número 2 - Fevereiro de 2009

De Sócrates à Sociedade da Informação

Um pouco de passado: Como é sabido, Sócrates, o grande filósofo grego do século IV a.C, nada deixou escrito. As notícias que temos de sua vida e de seu pensamento são conhecidas através dos relatos de dois de seus discípulos, Xenofonte e Platão. Sua prática mais famosa, conhecida como método socrático, utilizava um discurso caracterizado pela maiêutica (“o parto das idéias”) e pela ironia, que levava o seu interlocutor a entrar em contradição, tentando depois levá-lo a chegar à conclusão de que o seu conhecimento é limitado. O método socrático é baseada em perguntas, respostas e mais perguntas. Acredito que a expressão “Por que ?” fosse uma das mais utilizadas por Sócrates em suas conversas diárias com seus contemporâneos na antiga Grécia.
De volta ao século XXI: Situação semelhante vivenciamos com as crianças. Os questionamentos ajudam-nas a desvendar o universo, a descobrir as coisas do mundo à sua volta. A partir dos quatro anos de idade elas começam a bombardear os pais com perguntas e mais perguntas utilizando o conhecido “Por que ?”. Interessante notar que as crianças aceitam as respostas apenas durante um certo tempo, principalmente aquelas que contém um certo grau de fantasia, magia ou invenção. A partir do momento que a razão se desenvolve, elas encontram uma maneira de levar adiante seus questionamentos e voltam a perguntar: “Por que ?”. A partir daí, acontece algo um tanto quanto misterioso e muito preocupante, pois quando crescemos deixamos de indagar, paramos de perguntar e não nos preocupamos mais com o “Porquê” das coisas. Nos acomodamos às explicações que nos são oferecidas e nos incomodamos com quem insiste em tentar nos retirar dessa situação.

Reflexão: Convido você, leitor, a refletir sobre este assunto, exemplificando dois casos. O que normalmente acontece na pré-escola ou nos primeiros anos do ensino fundamental com uma criança questionadora, que tudo pergunta e tudo quer saber? Muito provavelmente, para os demais colegas da sala de aula esta criança é considerada “chata”, “mala” ou “CDF”. É rotulada como aquela que atrapalha e interrompe a aula, como se a tal da aula se restringisse a um evento onde apenas uma pessoa tem o direito de falar e todos as outras devem apenas observar, sem direito a dúvidas e interrupções. É taxada como sendo aquela que impede que a aula termine cedo, para todos saiam para o recreio.
Para as professoras, esta criança questionadora é considerada, na maioria das vezes, prejudicial ao bom andamento dos trabalhos, principalmente pela possibilidade de ela as deixarem em uma “saia justa”, fazendo perguntas e questionamentos inteligentes que as obriguem a sairem das explicações padronizadas ou terem que pesquisar o tema com mais profundidade, fato que, lamentavelmente, é considerado por grande parte da classe docente com sendo um grande incoveniente.
O segundo caso também trata das crianças. Não das crianças ditas “normais”, mas aquelas consideradas “superdotadas”. O que normalmente acontece com elas? Em um país desenvolvido, que se preocupa com questões desta natureza, muito provavelmente estariam frequentando escolas especiais onde seriam incentivadas e motivadas a desenvolver seus dons e talentos adquiridos ao nascer. No Brasil existem programas de atendimento a estas crianças, mas são insuficientes e se restringem apenas aos grandes centros urbanos. De uma forma geral, nossos superdotados não são estimulados e perdem todo o seu potencial nos primeiros anos de escola ou não recebem cuidados especiais, passando a desenvolver problemas sérios de relacionamento.
Acredito que ambos os exemplos nos ajudam a entender porque ainda somos considerados “o país do futuro”, um futuro que insiste em nunca se tornar presente! Ainda não vivenciamos na plenitude a Sociedade da Informação e do Conhecimento que já acontece nos países mais ricos e desenvolvidos do mundo. Registramos poucas patentes, não detemos conhecimentos básicos de ciência e tecnologia em muitas áreas importantes e não realizamos pesquisas científicas relevantes. Muitas empresas de grande porte mantêm vagas abertas, com ótimos salários, que simplesmente, não conseguem ser preenchidas por falta de qualificação dos interessados.
Nos tornamos um mercado consumidor de idéias ou produtos que são produzidos fora de nosso país, ou aqui mesmo, por grandes empresas transnacionais cuja origem está sempre localizada na parte de cima da linha do Equador. O problema maior disto tudo é que os lucros destas empresas normalmente são enviados em forma de royalties para suas sedes, saindo divisas de nosso país. Desta forma, não avançamos e nem nos desenvolvemos! Com a abertura dos mercados, pequenas empresas nacionais sucumbem à força e à pressão de grandes grupos mundiais, simplesmente fechando suas portas ou sendo absorvidas pelas mais poderosas. Talvez esta seja a face mais cruel do tão propalado advento da globalização ...
Talvez tudo isto aconteça pela ausência do “Por que” no momento em que ele mais seria necessário ou talvez falte-nos agir mais vezes como Sócrates ! Estou certo de que também falta ao nosso país um olhar mais atento à questão da educação de seu povo. Faltam vontade política e investimentos, justamente em um setor que é a base para o crescimento, desenvolvimento e autonomia de qualquer nação. E este é exatamente o assunto de nossa próxima coluna. Fica combinado assim, nos vemos em Março. Um abraço a todos e até lá.

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

Filosofia & Cia - Ano I - Número 1 - Janeiro de 2009

O Início da Jornada : QI , QE e Filosofia

Não é novidade para ninguém que um certificado ou diploma, seja ele de nível médio, técnico ou superior, já não é garantia nenhuma de emprego ou de colocação profissional neste mundo globalizado. Hoje em dia, espera-se mais de um candidato a um emprego do que o simples fato de portar um canudo. Espera-se dele um alto QI, muito conhecimento a respeito do trabalho a ser desempenhado e também uma boa dose de QE. Mas o que são afinal estes tais QI e QE ?

Vamos definir estes termos para uma boa compreensão do assunto e para podermos continuar com o nosso raciocínio. De maneira simples e bem humorada, podemos dizer que o QE é o irmão mais novo do bom, velho e já bastante conhecido QI .

QI é a sigla que representa o Quociente de Inteligência de uma pessoa, que pode ser definido como “a medida obtida por meio de testes desenvolvidos para avaliar as capacidades cognitivas (inteligência) de um sujeito, em comparação ao seu grupo etário” (Wikipédia, 2008). O teste de QI não indica exatamente quanto uma pessoa conhece de um assunto ou área do conhecimento, mas mede um conjunto de habilidades que correlacionam fortemente aptidões acadêmicas e produção intelectual. Deve-se, porém, atentar-se para o fato de existirem pessoas com poucos anos de estudo e com um QI considerado alto, mas este não é o assunto a ser tratado neste momento. O que importa agora é entender que um alto QI está diretamente relacionado com uma (possível) maior capacidade de aprendizagem e, consequentemente, um conhecimento mais aprofundado de um assunto específico ou de uma área do conhecimento.

Importante também salientar que há algum tempo (e talvez não seja tanto tempo assim!) o fato de uma pessoa possuir um diploma de um curso superior, por exemplo, era sinal de que ele tinha grandes e profundos conhecimentos sobre um assunto ou uma área do conhecimento. E isto já bastava para que ele fosse contratado por uma grande empresa!

Hoje os tempos são outros. Além de provas de conhecimentos específicos, relativos à área a que pleiteia o cargo, um candidato a um emprego necessita realizar uma bateria de outros testes, entre eles, testes psicológicos e dinâmicas de grupo, além de passar por entrevistas individuais com gerentes e outros profissionais especializados. Isto tudo para “tentar perceber” o QE do candidato.

QE é a sigla que representa o quociente emocional de uma pessoa. Envolve o conceito de inteligência emocional proposta por Daniel Goleman e que pode ser vizualizada nas inteligências intra-pessoal e inter-pessoal, propostas por Howard Gardner. Trocando em miúdos, o quociente emocional de uma pessoa diz respeito às suas características pessoais e a forma de relacionamento com outras pessoas e a comunidade que a cerca. O QE não pode ser medido por testes similares ao teste de QI, mas pode-se tentar percebê-lo através de entrevistas e, principalmente, através de atividades e dinâmicas onde se reproduz um ambiente cotidiano ou o ambiente de uma empresa, por exemplo, para se captar características intrínsecas da personalidade de uma pessoa.

Podemos então, finalmente, retornar ao início desta coluna, fazendo a seguinte pergunta: que diabos a filosofia tem a ver com tudo isto? A resposta é: tudo a ver! A partir do momento em que são cada vez mais exigidos das pessoas (candidatos a vagas de emprego, funcionários e chefes de forma geral) atributos comportamentais positivos como trabalho em equipe, trabalho sob pressão, pontualidade, simpatia, bom humor, empatia, entre vários outros, um maior conhecimento de seu ego, o discernimento de seu papel na sociedade e o espírito crítico a respeito das coisas e das pessoas farão a diferença a favor ou contra esta pessoa.

O objetivo desta coluna mensal em um Jornal de Filosofia é justamente trazer à tona pensamentos de filósofos e estudiosos, muitos deles nascidos há centenas de anos atrás e mostrar como, em sua grande maioria, são aplicáveis ao mundo de hoje e às relações que mantemos com nossos semelhantes. A idéia é falar sobre educação, carreira, emprego, liderança, relacionamentos entre colegas de uma mesma empresa e o quase sempre conturbado relacionamento entre chefes e empregados, sempre à luz de filósofos e pensadores consagrados. Por isto, desde que recebi esta incumbência de meu amigo xará MPR (a quem agradeço publicamente o convite e a confiança) dei o nome a esta coluna de Filosofia & Cia.

Então fica combinado, nos encontraremos a cada mês, a partir do próximo, até o final do ano de 2009, tentando tornar este objetivo uma realidade. Conto com vocês, leitores, nesta jornada que agora se inicia, enviando críticas e sugestões de como melhorar este cantinho do jornal, assim como sugerindo temas a serem abordados na coluna.

Até a próxima e um abraço a todos.

Marcelo Alvim Jorge
malvim.sigma@gmail.com

Coluna "Filosofia & Cia" do Jornal Cultural "Conhece-te a ti mesmo"

A partir de agora você pode acompanhar, aqui no Blog, a coluna "Filosofia & Cia", que é publicada mensalmente no Jornal Cultural "Conhece-te a ti mesmo", em Conselheiro Lafaiete.