Há o que se comemorar no dia do professor ?
Em 15 de outubro, professores e profissionais da área de educação de São Paulo fizeram uma manifestação em frente à Secretaria Estadual da Educação, na Praça da República, pedindo melhores salários para a categoria. Alguns dos manifestantes usaram na ocasião narizes de palhaço durante o protesto e muitos afirmavam que não há nada para comemorar no dia destinado aos educadores de todo o país.
De outro lado, levantamento divulgado pelo Ministério da Educação aponta que a média salarial dos professores de escolas públicas da educação básica no Brasil cresceu de R$ 994,00 para R$ 1.527,00 entre 2003 e 2008, o que corresponde a um aumento de 53% em cinco anos. O estudo mostra ainda que a diferença entre o salário dos docentes e de outros profissionais com o mesmo nível de formação (ensino superior pelo menos incompleto) tem diminuído. Em 2003, trabalhadores que não eram docentes ganhavam 1,86 vezes melhor do que os educadores. Em 2008, a diferença caiu para 1,53.
Houve muitas reclamações depois da divulgação das informações por parte do MEC e a principal delas é a de que os dados do estudo não batem e os salários divulgados não condizem com a realidade do professor brasileiro.
Entretanto, o MEC admite que as distorções permanecem, pois enquanto um professor de Pernambuco recebeu em 2008 um salário médio de R$ 982,00, no Rio de Janeiro o professor ganha R$ 2.004,00 e no Distrito Federal a média chega a R$ 3.360,00. A média nacional é de R$ 1,527,00, sendo que os valores foram calculados para uma jornada de 40 horas semanais.
Mas Pernambuco não fica sozinho no ranking dos Estados que remuneram os professores de forma inadequada. Das vinte e sete unidades federativas, dezesseis pagam salários abaixo da média nacional. São elas: Rondônia, Pará, Tocantins, Maranhão, Piauí, Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba, Alagoas, Bahia, Espírito Santo, Minas Gerais, Mato Grosso, Goiás e Santa Catarina.
Trata-se de uma assunto bastante complexo e bastante sério também pois as disparidades salariais podem pesar na decisão de um jovem sobre seguir ou não a carreira docente. Sabe-se que hoje, uma das maiores dificuldades do magistério é atrair novos talentos e, certamente, a criação de um piso nacional para professores trará novas perspectiva para futuras gerações, que querem uma boa carreira em termos financeiros. Porém, como dinheiro não é tudo na vida, também almejam um bom ambiente de trabalho. E neste caso, além de salários dignos e compatíveis, é necessário que o país assegure à sua população uma educação de qualidade.
Este Blog foi concebido para que sejam publicadas as colunas mensais de nome "Filosofia & Cia", escritas para o Jornal Cultural "Conhece-te a ti mesmo", as colunas mensais "Gestão e Liderança" escritas para a Revista Ideia e a coluna semanal "Falando de Educação", do Jornal Expressão Regional, todas publicações veiculadas na cidade de Conselheiro Lafaiete - MG.
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sábado, 24 de outubro de 2009
segunda-feira, 20 de julho de 2009
Coluna “Falando de Educação” - Ano I – Número 13 – 18 de Julho de 2009
O vexame brasileiro na formação de seus professores
Vimos sempre falando em nossa coluna sobre os problemas que envolvem a educação do nosso país, trazendo fatos e números que constatam que o Brasil precisa de medidas fortes e eficazes para o setor. Vimos apontando também possíveis caminhos para uma melhoria nos rumos da educação, sendo que alguns deles passam, sem dúvida, por uma maior qualidade na formação dos professores e por uma maior valorização da classe docente. Hoje trago mais uma má notícia que causa perplexidade e tristeza a quem vive e trabalha no ambiente educacional.
O Ministério da Educação (MEC) está supervisionando 49 cursos superiores de pedagogia e 11 cursos da modalidade Normal que apresentaram conceitos insatisfatórios no último Exame Nacional de Avaliação do Desempenho de Estudante (Enade). Uma comissão de supervisão visitou as instituições para verificar aspectos como o projeto pedagógico, a infra-estrutura e a composição do corpo docente. Foi divulgado recentemente que, destes 60 cursos sob sua supervisão, 17 deles estão em fase de extinção da oferta, o que dá um percentual de quase 30 %. Isto mesmo, mais de um quarto destas entidades de ensino, não poderão realizar vestibulares e receber novos alunos para os cursos da área da Educação !
Segundo o MEC, eles não atenderam às condições mínimas exigidas pela comissão de especialistas que avaliou as instituições. De acordo com o ministério, em 12 destes 17 cursos, o pedido de encerramento da oferta foi solicitado pelas próprias instituições, possivelmente, em minha opinião, porque eles não estavam tendo a procura esperada e/ou não estavam dando o retorno financeiro desejado, pois grande parte delas são de caráter particular. Os outros 5 cursos do grupo dos 17 estão sob processo administrativo pelo não cumprimento de antigas determinações do MEC ou porque apresentaram condições insatisfatórias de qualidade do ensino oferecido.
As demais instituições, que não tiveram que encerrar a oferta, assinarão um termo de saneamento de deficiências pelo qual se comprometem a melhorar os aspectos que foram mal avaliados pela comissão, cumprindo as recomendações determinadas pela Secretaria de Educação Superior (Sesu) do MEC, necessárias para que continuem em funcionamento.
A primeira conclusão a que podemos chegar é realmente a falta de qualidade dos cursos Normal e Pedagogia em todo o país, formando profissionais que estão aquém das necessidades básicas do setor, o que certamente faz com que nossos índices piorem, ao invés de melhorarem. Neste ponto realmente é necessária uma maior rigidez no controle destes cursos, fechando-os se necessário, de forma a privilegiar os que permanecem e buscam a qualidade de seu ensino.
A segunda conclusão é que é necessária uma urgente revisão da política de remuneração da classe dos docentes, de forma a incentivar nossos jovens a se interessarem novamente pelo ofício de professor. O que vemos atualmente é uma possível vocação ser prejudicada e deixada de lado pelo aspecto financeiro não compensador da profissão. Antigamente, a pessoa sentia orgulho em ser professor, pois além de ter reconhecimento e grande credibilidade, os profissionais gozavam de melhores condições de trabalho e de vida. Hoje em dia, os salários são, em muitos casos, tão baixos que os docentes são obrigados a ter vários empregos em várias escolas diferentes, para chegar a um patamar satisfatório de remuneração. Trabalhando tento, muitas vezes falta tempo para planejar e preparar boas aulas, o que pode refletir na qualidade do ensino oferecido aos alunos.
Vimos sempre falando em nossa coluna sobre os problemas que envolvem a educação do nosso país, trazendo fatos e números que constatam que o Brasil precisa de medidas fortes e eficazes para o setor. Vimos apontando também possíveis caminhos para uma melhoria nos rumos da educação, sendo que alguns deles passam, sem dúvida, por uma maior qualidade na formação dos professores e por uma maior valorização da classe docente. Hoje trago mais uma má notícia que causa perplexidade e tristeza a quem vive e trabalha no ambiente educacional.
O Ministério da Educação (MEC) está supervisionando 49 cursos superiores de pedagogia e 11 cursos da modalidade Normal que apresentaram conceitos insatisfatórios no último Exame Nacional de Avaliação do Desempenho de Estudante (Enade). Uma comissão de supervisão visitou as instituições para verificar aspectos como o projeto pedagógico, a infra-estrutura e a composição do corpo docente. Foi divulgado recentemente que, destes 60 cursos sob sua supervisão, 17 deles estão em fase de extinção da oferta, o que dá um percentual de quase 30 %. Isto mesmo, mais de um quarto destas entidades de ensino, não poderão realizar vestibulares e receber novos alunos para os cursos da área da Educação !
Segundo o MEC, eles não atenderam às condições mínimas exigidas pela comissão de especialistas que avaliou as instituições. De acordo com o ministério, em 12 destes 17 cursos, o pedido de encerramento da oferta foi solicitado pelas próprias instituições, possivelmente, em minha opinião, porque eles não estavam tendo a procura esperada e/ou não estavam dando o retorno financeiro desejado, pois grande parte delas são de caráter particular. Os outros 5 cursos do grupo dos 17 estão sob processo administrativo pelo não cumprimento de antigas determinações do MEC ou porque apresentaram condições insatisfatórias de qualidade do ensino oferecido.
As demais instituições, que não tiveram que encerrar a oferta, assinarão um termo de saneamento de deficiências pelo qual se comprometem a melhorar os aspectos que foram mal avaliados pela comissão, cumprindo as recomendações determinadas pela Secretaria de Educação Superior (Sesu) do MEC, necessárias para que continuem em funcionamento.
A primeira conclusão a que podemos chegar é realmente a falta de qualidade dos cursos Normal e Pedagogia em todo o país, formando profissionais que estão aquém das necessidades básicas do setor, o que certamente faz com que nossos índices piorem, ao invés de melhorarem. Neste ponto realmente é necessária uma maior rigidez no controle destes cursos, fechando-os se necessário, de forma a privilegiar os que permanecem e buscam a qualidade de seu ensino.
A segunda conclusão é que é necessária uma urgente revisão da política de remuneração da classe dos docentes, de forma a incentivar nossos jovens a se interessarem novamente pelo ofício de professor. O que vemos atualmente é uma possível vocação ser prejudicada e deixada de lado pelo aspecto financeiro não compensador da profissão. Antigamente, a pessoa sentia orgulho em ser professor, pois além de ter reconhecimento e grande credibilidade, os profissionais gozavam de melhores condições de trabalho e de vida. Hoje em dia, os salários são, em muitos casos, tão baixos que os docentes são obrigados a ter vários empregos em várias escolas diferentes, para chegar a um patamar satisfatório de remuneração. Trabalhando tento, muitas vezes falta tempo para planejar e preparar boas aulas, o que pode refletir na qualidade do ensino oferecido aos alunos.
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sábado, 6 de junho de 2009
Coluna “Falando de Educação” - Ano I – Número 7 – 06 de Junho de 2009
Seleção mais rigorosa de professores em São Paulo
A notícia de que o estado de São Paulo aumentará o rigor na contratação dos professores da rede pública está dando o que falar. Muitos são completamente a favor da nova regra e outros tantos são absolutamente contra a medida. Polêmicas à parte, vale a pena refletir sobre o fato. Vamos aos detalhes do que está acontecendo ...
O governador anunciou a mudança de regras há algumas semanas atrás. Ela já deverá valer a partir da próxima seleção de setembro próximo, apesar da necessidade de ainda ser aprovada pela Assembléia Legislativa. Hoje em dia, o processo seletivo é composto de apenas uma etapa, o concurso público. De acordo com a nova proposta, será mantido o concurso, mas apenas como uma primeira etapa. Depois de aprovado, o candidato entrará em um curso de qualificação que terá a duração de quatro meses. Ao final deste curso, passará por novos exames, que também poderão eliminar o pretendente a um cargo efetivo de professor na rede estadual.
Os que discordam da medida perguntam se esta não é uma desconfiança exagerada no processo de seleção hoje existente. Se já passaram por uma prova, pra que outra ? Mas admitem que, depois de aprovado, o candidato poderia passar por uma espécie de “treinamento”.
Os adeptos da nova ideia afirmam que o concurso é muito teórico e os professores que passam por esta etapa podem não estar preparados para o dia-a-dia da escola. Assim, o curso trataria da parte mais prática do exercício da profissão, sendo, então, de extrema necessidade e valia a sua instituição.
O governador argumenta que o principal objetivo é melhorar a qualidade dos professores que entram na rede e que o curso é um “reforço” para o corpo docente. Segundo ele, o estado também pretende diminuir o número de professores temporários, que representam 40% da rede, pois eles não passaram por seleção e são apontados como uma das principais causas da má qualidade de ensino.
A inevitável conclusão é de que, infelizmente, os cursos de pedagogia hoje existentes no Brasil não dão a base suficiente para o professor exercer com eficiência o seu papel, sendo necessárias estratégias como esta para que a qualidade do ensino possa melhorar ao menos um pouco. Especialistas afirmam que a maioria dos cursos existentes hoje no país são extremamente teóricos e realmente não preparam o professor para a realidade a ser enfrentada dentro de sala de aula.
Como medida temporária para o aumento rápido de qualidade, até que a medida é interessante e pode vir a dar resultados. Mas o ideal é uma maior fiscalização e mais rigor na avaliação dos cursos superiores que formam professores em todo o país, de forma a aumentar consistentemente a qualidade dos mesmos e garantir que eles formem professore
s capazes, tanto na teoria quanto na prática, para realizar um bom papel dentro das escolas.
A notícia de que o estado de São Paulo aumentará o rigor na contratação dos professores da rede pública está dando o que falar. Muitos são completamente a favor da nova regra e outros tantos são absolutamente contra a medida. Polêmicas à parte, vale a pena refletir sobre o fato. Vamos aos detalhes do que está acontecendo ...
O governador anunciou a mudança de regras há algumas semanas atrás. Ela já deverá valer a partir da próxima seleção de setembro próximo, apesar da necessidade de ainda ser aprovada pela Assembléia Legislativa. Hoje em dia, o processo seletivo é composto de apenas uma etapa, o concurso público. De acordo com a nova proposta, será mantido o concurso, mas apenas como uma primeira etapa. Depois de aprovado, o candidato entrará em um curso de qualificação que terá a duração de quatro meses. Ao final deste curso, passará por novos exames, que também poderão eliminar o pretendente a um cargo efetivo de professor na rede estadual.
Os que discordam da medida perguntam se esta não é uma desconfiança exagerada no processo de seleção hoje existente. Se já passaram por uma prova, pra que outra ? Mas admitem que, depois de aprovado, o candidato poderia passar por uma espécie de “treinamento”.
Os adeptos da nova ideia afirmam que o concurso é muito teórico e os professores que passam por esta etapa podem não estar preparados para o dia-a-dia da escola. Assim, o curso trataria da parte mais prática do exercício da profissão, sendo, então, de extrema necessidade e valia a sua instituição.
O governador argumenta que o principal objetivo é melhorar a qualidade dos professores que entram na rede e que o curso é um “reforço” para o corpo docente. Segundo ele, o estado também pretende diminuir o número de professores temporários, que representam 40% da rede, pois eles não passaram por seleção e são apontados como uma das principais causas da má qualidade de ensino.
A inevitável conclusão é de que, infelizmente, os cursos de pedagogia hoje existentes no Brasil não dão a base suficiente para o professor exercer com eficiência o seu papel, sendo necessárias estratégias como esta para que a qualidade do ensino possa melhorar ao menos um pouco. Especialistas afirmam que a maioria dos cursos existentes hoje no país são extremamente teóricos e realmente não preparam o professor para a realidade a ser enfrentada dentro de sala de aula.
Como medida temporária para o aumento rápido de qualidade, até que a medida é interessante e pode vir a dar resultados. Mas o ideal é uma maior fiscalização e mais rigor na avaliação dos cursos superiores que formam professores em todo o país, de forma a aumentar consistentemente a qualidade dos mesmos e garantir que eles formem professore
s capazes, tanto na teoria quanto na prática, para realizar um bom papel dentro das escolas.
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