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terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Coluna “Falando de Educação” - Ano I – Número 31 – 05 de Dezembro de 2009

Você tem alguma dica para fazer uma boa prova ?

Esta foi a pergunta que uma repórter me fez, numa entrevista que falava sobre vestibulares e concursos públicos de forma geral. Utilizando o velho e surrado (mas não por isso, errado ou ultrapassado) ditado popular: “se conselho fosse bom a gente não dava, mas vendia ...”, compilei algumas dicas que considero importantes e publico agora também em nossa coluna. Vamos a elas:

1) Quanto mais vai chegando o dia da concurso ou vestibular, o ritmo de estudos deve ir diminuindo, até a véspera da prova, dia que tiramos para o relaxamento e a tranqüilidade. Sem esta de rever conteúdos ou decorar fórmulas e datas. Não se aprende nada na véspera. O trabalho já deve ter sido realizado ao longo do período de preparação;

2) Quem se prepara para uma prova com dedicação e afinco mas fica nervoso e descontrolado na hora da prova se iguala a quem não se preparou tão bem. Dependendo do grau de ansiedade e nervosismo, se compara a quem não se preparou nem um pouco. Portanto, o equilíbrio emocional é fundamental. Isto reforça o que foi dito no número 1. Divirta-se e relaxe na véspera. Cuide do corpo e da mente, nada de estudos !

3) Na hora da prova, uma visão geral do exame é fundamental. O que é isto ? Folheie rapidamente a prova inteira, tome conhecimento do número de questões e a ordem em que os conteúdos são apresentados. Veja o tema da redação, se for o caso da sua prova, mesmo que não queira fazê-la logo no início da prova. O subconsciente se incumbirá de fixar o tema em sua mente. Quando chegar a hora de dissertar, o assunto não será uma surpresa total para você;

4) A visão geral da prova vai lhe favorecer no controle e na melhor divisão do tempo dispendido em cada fase de sua prova. Ajuda muito para saber que está na hora de mudar de matéria e passar para as questões de uma outra. Quem faz prova de múltipla escolha, aberta e/ou redação deve ficar atento ao tempo gasto em cada uma destas etapas;

5) A ordem de responder as questões é muito importante. Gosto sempre de fazer as questões da matéria que domino primeiro. Isto gera confiança ao ter certeza que acertei as questões e aumenta a auto-estima para o resto da prova. Se por acaso não der tempo de fazer todas as questões, as que ficaram provavelmente são aquelas que teria maior dificuldade em responder. Muito frustrante é deixar de responder, por falta de tempo, a questões de um conteúdo que a gente domina !

sábado, 15 de agosto de 2009

Filosofia & Cia - Ano I - Número 8 - Agosto de 2009

A ousadia de Erasmo e o fim do Vestibular

Um pouco de história: No período de transição da Idade Média para a Idade Moderna, o pensamento nascente defendia a liberação da criatividade e da vontade do ser humano, em oposição ao pensamento escolástico, segundo o qual todas as questões terrenas deviam subordinar-se à religião. O antropocentrismo, predomínio do humano sobre o transcendente, era o eixo desta nova filosofia, que seria posteriormente conhecida como Humanismo. Embora fosse profundamente cristão, o filósofo holandês Erasmo de Roterdã (1469-1536) entrou para a história justamente por se opor ao domínio da Igreja sobre a educação, a cultura e a ciência. Era necessária uma boa dose de ousadia para ir contra a influência religiosa que dominava sua época, e era justamente a ousadia que fazia parte das atitudes que um número crescente de intelectuais começava a enaltecer naquele período de profundas transformações.

De volta ao século XXI: O Ministério da Educação (MEC) divulgou nas últimas semanas medidas que devem mudar radicalmente a educação em nosso país. Primeiro anunciou o fim do Vestibular, nos moldes que conhecemos hoje, que será substituído pelo ENEM (Exame Nacional do Ensino Médio). Depois, anunciou um projeto piloto a ser realizado em 100 escolas estaduais a partir do ano que vem, cujo objetivo é acabar com o currículo escolar fragmentado e terminar com a divisão do saber em disciplinas, trabalhadas de forma isolada e sem nenhum contexto com a realidade do mundo.

Reflexão: Vamos começar nossa reflexão pelo fim da fragmentação do currículo, que é uma atitude louvável, embora complexa e de difícil implementação. O saber é único e as disciplinas não são conhecimentos isolados. Muito pelo contrário, a Química “conversa” o tempo todo com a Física, assim como a História está “intimamente ligada” ao Português. Mas não basta acabar com as disciplinas, ou agrupá-las em grandes grupos, como por exemplo, línguas, raciocínio lógico, humanidades e saúde. Os professores devem ser treinados e capacitados a esta nova realidade, pois estão muito acostumados a atuar de forma isolada, sem interagir com outros professores e outras matérias, pois é assim que aprenderam em sua época de estudantes e é assim que praticam no seu dia-a-dia escolar. A partir de agora, deverão transmitir seu conteúdo de forma integrada, trabalhando em equipe com outros docentes. O conceito de projetos e a interdisciplinaridade ganham muita força com esta nova ideia.

Quanto ao fim anunciado do velho e tradicional Vestibular, o novo ENEM, como está sendo chamada a prova que o irá substituir na grande maioria das faculdades e universidades do país, é uma prova que valoriza muito mais o raciocínio, a comparação, o poder de síntese, de análise e a observação do aluno. Tudo muito diferente das provas que acontecem hoje em dia, onde o estudante precisa decorar um grande volume de informações, privilegiando mais o processo de memorização de fórmulas, datas, nomes e fatos históricos, o que acarreta uma carga de estresse muito elevada para nossos jovens. Trata-se de uma excelente medida, que tende a modificar toda a educação no país, pois os ensinos fundamental e médio fluem muito em função do acesso ao nível superior e, mudando o estilo do processo seletivo, a tendência é uma revisão geral, de cima para baixo, das estratégias de ensino.

Diferentemente de Erasmo, cuja ousadia maior foi lutar contra o domínio da Igreja sobre a educação, nos dias atuais, a grande ousadia do MEC é mexer em um processo tradicional e enraizado, mas que, a olhos vistos, já não é adequado a nossa realidade. Estas medidas ousadas e corajosas são muito necessárias e tendem a causar uma grande revolução na educação do Brasil. Como, infelizmente, não é raro ver em nosso país ótimas ideias se transformarem em grandes fracassos, resta-nos torcer para que sejam bem implementadas e que possam fazer surtir os efeitos tão desejados por todos nós. Nos vemos em Setembro. Um abraço a todos e até lá.

sábado, 25 de julho de 2009

Coluna “Falando de Educação” - Ano I – Número 14 – 25 de Julho de 2009

Confira quais universidades utilizarão o novo ENEM

Dentre as 55 universidades federais do país, 26 optaram por utilizar a prova do ENEM (Exame Nacional do Ensino Médio), como parte do processo de seleção para ingresso no curso superior em 2010. Outras 7 descartaram o uso da nota do exame e 22 ainda estão em fase final de decisão. O próprio ministro da Educação, Fernando Haddad, considerou o resultado como “surpreendente", se mostrando satisfeito com a adesão das universidades federais ao novo modelo.

Das universidades que já confirmaram o uso do novo Enem, 14 decidiram abolir a prova do vestibular e trocá-la pelo novo exame. Outras 6 instituições de ensino optaram por eliminar apenas a primeira fase do vestibular. Nesses casos, o vestibulando será classificado para a segunda fase do processo seletivo de cada universidade a partir de seu desempenho na prova do MEC. Há ainda 3 federais que decidiram usar o Enem como um percentual da nota de sua seleção. Outras 3 confirmaram o uso do ENEM, mas ainda não divulgaram a maneira de aplicá-lo.

De acordo com a proposta do MEC, a prova do novo Enem será realizada em dois dias e terá 200 testes de múltipla escolha, quando serão avaliadas as áreas de linguagens, códigos e suas tecnologias (incluindo redação), ciências humanas e suas tecnologias, ciências da natureza e suas tecnologias, além de matemática e suas tecnologias.

As inscrições para participar do ENEM 2010 terminaram no último domingo, dia 19 de julho, e teve algo em torno de 4 milhões de candidatos inscritos. No momento em que se inscreveu, o estudante teve o direito de optar por cinco cursos e instituições e, de acordo com a nota, simular a posição no curso pretendido, em comparação com as notas dos demais concorrentes. No sistema unificado, os pesos das provas podem ser diferentes, caso a instituição queira.
A proposta do MEC prevê a aplicação do novo Enem nos dias 3 e 4 outubro e a divulgação das provas em 4 de dezembro. O resultado final, com a correção das redações, está sendo esperado para 8 de janeiro do próximo ano.

Resumindo a situação das principais universidades próximas a Lafaiete, Congonhas e Ouro Branco, temos:

1) UFV (Universidade Federal de Viçosa): Vai combinar o ENEM com a nota do vestibular tradicional e vai adotá-lo também para as vagas remanescentes.

2) UFSJ (Universidade Federal de São João Del Rey): Parte das vagas serão usadas no sistema unificado. O ENEM poderá ser usado no primeiro dia de provas e servirá também para as vagas ociosas.

3) UFJF (Universidade Federal de Juiz de Fora): Quem fizer o ENEM poderá utilizar a nota na primeira fase. As outras duas fases continuam obrigatórias.

4) UFOP (Universidade Federal de Ouro Preto): Vai substituir a primeira fase do Vestibular pelo ENEM.

5) UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais): não vai usar o novo ENEM. O Vestibular continua em sua forma tradicional.

segunda-feira, 4 de maio de 2009

Coluna "Falando de Educação" - ANo I - número 2 - 02 de Maio de 2009

Ainda sobre o fim do Vestibular

O assunto “fim do vestibular” que abordamos em nossa coluna inaugural da semana passada vem causando muitas dúvidas na cabeça das pessoas, principalmente na dos jovens que estão se preparando para o processo de seleção em 2009 e também na daqueles que intencionam entrar em um curso superior nos próximos anos.

Voltamos ao assunto na coluna de hoje para esclarecer que ainda não há decisões definitivas sobre o tema. O ministro da Educação Fernando Haddad tem se reunido sistematicamente com sua equipe do Ministério da Educação (MEC) e, principalmente, com os reitores das universidades federais, na tentativa de se chegar a um ponto comum que propicie a implantação do novo modelo proposto.

Em reunião recente com os reitores, o MEC anunciou que as universidades federais terão quatro formas de utilizar o novo Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) como vestibular:
1- usar o Enem como prova única para a seleção de ingresso;
2- substituir apenas a primeira fase do vestibular pelo Enem;
3- combinar a nota do Enem com a nota do vestibular tradicional. Nesta modalidade, a universidade fica livre para decidir um percentual do Enem que será utilizado na média definitiva;
4- usar o Enem como fase única apenas para as vagas ociosas da universidade.

O MEC pretende defender a implantação da nova prova como fase única de seleção para as universidades, mas segundo o próprio ministro, seria autoritário e arbitrário por parte do MEC só aceitar participação na modalidade de fase única.

Desta forma, as instituições de ensino terão liberdade para escolher qual forma adotar e para sugerir outras aplicações do novo Enem no ingresso e na seleção de vestibulandos. O MEC já informou que as universidades federais terão até o dia 8 de maio para decidir se vão ou não aderir ao novo Enem, e em caso positivo, em qual formato vão participar.

As universidades poderão, inclusive, utilizar mais de uma modalidade, dependendo do curso. Isto significa que será possível adotar o novo Enem como fase única para cursos menos concorridos, e como primeira fase para graduações mais disputadas (como é o caso do curso de medicina, por exemplo). Além das Universidades Federais, outras universidades e faculdades estaduais e particulares também poderão participar do processo e ingressar nesta nova modalidade de seleção.

Muitas discussões e negociações ainda estão por vir até a decisão final de como será o novo processo de seleção para ingresso nos cursos superiores. De certo mesmo, por enquanto, apenas a impressão de que “nada será como antes”. Um abraço a todos e até a próxima.

sábado, 25 de abril de 2009

Coluna "Falando de Educação" - Ano I - número 1 - 25/04/09

O fim anunciado do Vestibular

O Ministério da Educação (MEC) anunciou há algumas semanas atrás uma nova proposta para o Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM), que substituiria o vestibular. Cada universidade, pública ou privada é que vai decidir sobre a manutenção do tradicional processo de seleção ou a adoção do novo modelo. Mas a tendência é de mudança geral.

Por esta nova proposta, a nova seleção ficaria a meio caminho do vestibular, onde é cobrado um excesso de conteúdo dos candidatos e o atual ENEM, que, de forma contrária, cobra pouco conhecimento dos interessados em uma vaga no curso superior. O exame seria mais exuto do que o atual vestibular e menos voltado para a memorização, testando mais a capacidade de solucionar problemas da vida real do que o conhecimento acumulado. Por outro lado, o exame passaria a ter 200 questões de múltipla escolha e uma redação e seria aplicado em dois dias, ao contrário do ENEM atual, que tem 63 questões e uma redação e é aplicado em apenas um dia.

No novo formato, as questões seriam divididas em quatro grupos: linguagens (incluindo português, inglês e a redação), matemática, ciências humanas e ciências da natureza. No entanto, como a maior parte das universidades aplica vestibular duas vezes por ano, não se descarta a possibilidade de o “novo ENEM”, como vem sendo chamado, também ser aplicado mais de uma vez no ano.

Outra mudança importante é que a prova será unificada. Isso significa que, com uma única nota, os alunos poderão tentar o ingresso em mais de uma faculdade. O modelo seria usado como uma espécie de “pesca” por parte do estudante, que poderia escolher a universidade onde deseja estudar, de acordo com a nota que obtiver na prova.

Estamos às vésperas de uma verdadeira revolução. A angústia daqueles que se preparam aumenta pelas dúvidas com relação ao próximo processo seletivo. Muitos comemoram a mudança, pois alegam que o atual modelo coloca em jogo em apenas um dia toda uma preparação de, no mínimo, três anos de estudo. A carga de conteúdo e o estress dos candidatos é altíssimo. Olhando por este prisma, a mudança é benéfica.

Entretanto, estatísticas mostram que, na grande maioria dos casos, conseguem as melhores vagas aqueles candidatos mais capacitados e mais bem preparados. E isto, muito provavelmente, não vai mudar.