sábado, 8 de janeiro de 2011

Coluna “Falando de Educação” - Ano II – Número 77 – 25 de Dezembro de 2010

O drama do analfabetismo no Brasil – Parte II

Semana passada apresentamos aqui na nossa coluna alguns números da Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios) realizada pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) e divulgada no início do mês de Dezembro, quando foram entrevistadas 153.837 pessoas em todo o país até setembro de 2009. Na coluna de hoje, analisamos os dados e chegamos a algumas conclusões importantes acerca da educação em nosso país.

A primeira delas é que a universalização do ensino fundamental deve estar direcionada para a conclusão dos anos escolares e não apenas para o acesso à educação, sendo a defasagem de ensino um dos problemas mais sérios da formação escolar. Isto porque em todo o país, 87,6% dos alunos concluem a quarta série do ensino fundamental, mas a taxa cai para 53,8% na conclusão da oitava série. Nestes casos, ou o estudante foi reprovado e ficou para trás ou evadiu e não volta mais para a escola. Além de ainda haver uma porcentagem residual de crianças e jovens fora da escola, entre os matriculados há os que não aprendem ou progridem lentamente, repetem o ano e acabam abandonando os estudos. Os fatores que contribuem para a dificuldade de permanência do estudante na escola estão relacionados, segundo o IPEA, à qualidade do ensino, à gestão das escolas e às desigualdades sociais dos próprios alunos e de suas famílias.

Outra conclusão importante é que o tempo médio de estudo do brasileiro cresceu 2,3 anos, alcançando 7,5 anos. Se for mantida essa média, o mínimo previsto pela Constituição (8 anos) será alcançado em cinco anos. Se compararmos por região, a situação fica mais complicada, com a região Sudeste se destacando e o Nordeste amargando o fim da lista. O hiato educacional, que é a quantidade de anos de estudo que, em média, faltam aos brasileiros que ainda não completaram o mínimo previsto na Constituição, revela que a pior faixa etária nos dados é a da população com mais de 30 anos. É verdade que houve queda no hiato em todas as faixas etárias, mas o instituto recomenda a ampliação do acesso da população de maior idade a cursos para educação de jovens e adultos.

Também ficou evidente que a renda continua sendo um diferencial na educação brasileira. Segundo o Ipea, se dividirmos a população com 15 anos ou mais por renda em cinco partes, os mais ricos estudam, em média, 10,7 anos, contra 5,5 anos da quinta parte mais pobre da população - praticamente o dobro. Segundo o insituto, há grande diferença também entre os mais ricos que vivem em área urbana e os que vivem na zona rural - os primeiros estudam, em média, 3,5 anos a mais. A diferença entre os mais pobres na cidade e no campo é menor - de 1,8 ano de estudo. É importante o crescimento econômico que permite às famílias, com o aumento da renda, manter seus filhos na escola.

Finalmente, o analfabetismo é o maior problema a ser enfrentado. Apesar da redução verificada desde o começo da década de 90, o número de analfabetos ainda gira em torno de 14 milhões de brasileiros. A educação brasileira vem avançando nos últimos 20 anos, mas anda existem muitos problemas, como o analfabetismo que ainda é muito alto no país, atingindo 9,7% da população de 15 anos ou mais, sendo que o índice está caindo muito devagar.

O ano de 2011 começa com um(a) novo(a) presidente da república e nós, educadores, renovamos nossa esperança de um ano proveitoso para a educação de nosso país, com a melhoria dos índices apresentados, que, infelizmente, colocam o Brasil bem no final da fila quando o assunto é educação em nível mundial. A vocês, leitores, desejo um ótimo Natal, com muita paz e alegria junto a seus familiares e às pessoas amadas !

Coluna “Falando de Educação” - Ano II – Número 76 – 18 de Dezembro de 2010

O drama do analfabetismo no Brasil

A Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios), divulgada nesta semana, mostra que um em cada cinco brasileiros de 15 anos ou mais (20,3% do total) são analfabetos funcionais, ou seja, tem menos de quatro anos de estudo.

A pesquisa, realizada pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) entrevistou 153.837 pessoas em todo o país até setembro de 2009. De acordo com os dados do ano passado, o analfabetismo atinge que 14,1 milhões de brasileiros (9,7% da população). O número é somente 1,8 ponto percentual menor do que em 2004.

O Nordeste ainda tem o maior índice de analfabetismo, quase o dobro da média brasileira. Em 2008, a taxa de analfabetismo das pessoas, de 15 anos ou mais de idade, foi de 19,4 no nordeste, contra 10,0 no País. Neste mesmo ano, a média da região sudeste foi de 5,8 e a do sul de 5,5. Em 2009, houve uma redução de 0,8 ponto percentual no sul e de 0,9 no sudeste. Mesmo assim, o número caiu de 22,4% da população para 18,7% na região em cinco anos. Atrás do Nordeste, vem a região Norte, com uma taxa de 10,6% de analfabetos, redução de 2,1 pontos percentuais em relação a 2004. No Centro-oeste, a pesquisa levantou que 8% da população ainda não sabem ler e escrever, apesar da redução de 1,2 ponto percentual, na comparação com 2008.

De acordo com o estudo, a maior concentração de analfabetos está na população de idade elevada. Das pessoas que não sabiam ler e escrever, 92,6% tinha 25 anos ou mais de idade. Do grupo de entrevistados nesta faixa etária, 12% eram analfabetos. Entre as pessoas maiores de 50 anos, segundo a pesquisa, 21% não sabia ler e escrever. Mais uma vez, a região Nordeste se destaca. Do grupo de nordestinos com 25 anos ou mais, 23,8% eram analfabetos. Para as pessoas com mais de 50 anos, a proporção chegou a 40,1% na região.

A pesquisa ainda aponta que, nas regiões Norte e Nordeste, há mais homens analfabetos do que mulheres. Segundo dados da Unesco, o Brasil teve uma taxa média de analfabetismo maior do que a da América do Sul entre 2005 a 2008.

Apesar do analfabetismo persistente, a Pnad indica que a escolarização no Brasil aumentou desde 2008. Mais de 96% das crianças de 6 a 14 anos estão na escola em todas as regiões do Brasil e, entre os adolescentes de 15 a 17 anos, o número é superior a 90%. O índice diminui drasticamente entre os jovens de 18 a 24 anos. Somente 38,5% frequentaram uma instituição de ensino em 2009. Além disso, os dados da pesquisa mostram que boa parte dos alunos não completa o ensino médio. Em 2009, a média de anos estudo de brasileiros de mais de dez anos de idade foi de 7,2, quase quatro anos a menos do que o previsto pelo sistema educacional brasileiro.
A taxa de escolarização das crianças de 6 a 14 anos de idade foi de 97,6% em 2009 e a dos jovens entre 15 e 17 anos foi de 85,2%, segundo a Pnad 2009. Não fosse pelas famílias que têm a renda per capita inferior a um quarto do salário mínimo, a educação estaria praticamente universalizada nessa faixa etária.

A pesquisa apurou que 3,5% das crianças entre 6 e 14 anos de idade, que viviam em casas com a renda inferior a um quarto do salário mínimo, não frequentavam a escola. Já as residências em que a receita era de 1 salário mínimo por pessoa, 99% das crianças estudavam.
A escolarização dos menores, entre 4 e 5 anos de idade, foi de 74,8% no Brasil. Porém, para os que residiam em domicílios com rendimento mensal inferior a um quarto do salário mínimo, per capita, a proporção foi de 66,8%. Em contrapartida, nas casas em que a receita era de 1 salário mínimo ou mais, 86,9% frequentavam a escola.

De acordo com a Pnad, em 2009, havia 55,2 milhões de estudantes, sendo que 78,1% do total contavam com a rede pública de ensino. Na Pnad 2009, foram pesquisadas 399.387 pessoas e 153.837 unidades domiciliares distribuídas por todas as Unidades da Federação.

Coluna “Falando de Educação” - Ano II – Número 75 – 04 de Dezembro de 2010

Você sabe o que e Teoria de Resposta ao Item ?

Mudou o tema do momento. O Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM) deixou de ser a bola da vez, perdendo espaço na mídia para os acontecimentos policiais que envolvem o conjunto de favelas do Morro do Alemão, no Rio de Janeiro, onde as polícias federal, civil e militar, com o auxílio das forças armadas, realizaram uma ação cinematográfica de invasão e tomada dos morros da mão dos bandidos e traficantes. Entretanto, isto não significa que o assunto ENEM não esteja rendendo ainda boas matérias e ainda preocupando milhares de jovens estudantes, que continuam ansiosos com o resultado final de toda esta confusão que foi armada.

As últimas notícias dão conta que a Defensoria Pública da União (DPU), no Rio de Janeiro, enviou um ofício ao MEC pedindo que a data marcada para a nova prova do ENEM 2010 seja reavaliada. A princípio, as provas serão realizadas às 13h do dia 15 de dezembro, uma quarta-feira. A alegação é que estudantes que trabalham poderão ter problemas por causa do agendamento da prova em um dia de semana, além do fato de que o trânsito durante a semana é mais intenso e pode prejudicar o acesso dos candidatos aos locais de provas. Dessa forma, existe a sugestão de remarcação da prova para um final de semana. A assessoria de imprensa do MEC informou a data do novo Enem está mantida, pois o dia 15 de dezembro foi escolhido para evitar ao máximo a coincidência com datas de vestibulares em todo o país.

Paralelamente a isto, o presidente nacional da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) encaminhou esta semana ao ministro da Educação, Fernando Haddad, um requerimento para que seja anulada a última prova do ENEM, com base em um levantamento feito pela Procuradoria da República do Ceará, que demonstrou que a prova de redação do exame vazou antes mesmo de ser iniciada. Segundo a OAB, o fato feriu o princípio da moralidade e a única saída para a solução do problema é a anulação do exame. Mas além de dar estas notícias, a coluna desta semana quer falar também sobre a nova forma de avaliação utilizada pelo MEC na correção das provas do ENEM, a TRI, ou Teoria de Resposta ao Item.

O novo modelo utilizado tem cinco notas, uma para cada área de conhecimento avaliada - ciências da natureza, ciências humanas, linguagens e matemática -, além da média da redação. Para o cálculo das médias em cada uma das quatro áreas é utilizada esta metodologia da Teoria de Resposta ao Item (TRI), que busca medir conhecimento a partir do comportamento observado em testes. No caso da redação, porém, os critérios são os mesmos do antigo Enem, que vigorou até 2008. Diferentemente de um exame comum, a nota do Enem em cada área não representa simplesmente a proporção de questões que o estudante acertou na prova. Em cada área avaliada, a média obtida depende, além do número de questões respondidas corretamente, também da dificuldade das questões que se erra e se acerta, e da consistência das respostas. Por isso, pessoas que acertam o mesmo número absoluto de itens podem obter médias de desempenho distintas.

"Testadas antes da prova, as questões ganham um peso que varia de acordo com o desempenho dos estudantes nos pré-testes - quanto mais alunos acertam uma determinada pergunta, menor o peso que ela terá na prova porque o grau de dificuldade é supostamente menor", explica o MEC em nota oficial. Na escala construída para o Enem, dentro de cada uma das áreas avaliadas, a nota 500 representa a média obtida pelos concluintes do ensino médio que realizaram a prova (excluídos os egressos e treineiros). Portanto, quanto mais distante de 500 for a nota do estudante, para cima, maior o desempenho obtido em relação à média dos participantes. Mesmo raciocínio vale para desempenho menor que 500, que aponta desempenho pior em relação ao obtido pela média.

Coluna “Falando de Educação” - Ano II – Número 74 – 27 de Novembro de 2010

As últimas notícias a respeito do ENEM

Esta semana ainda falaremos mais um pouco sobre o Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM), que vem trazendo sentimentos diferentes aos candidatos a uma vaga no ensino superior: primeiro, a esperança de que a prova abra as portas de uma faculdade, depois, a ansiedade de uma prova longa e cansativa e, por ultimo a frustração de mais um exame conturbado e cheio de falhas. Vejamos as informações mais recentes acerca do exame:

· Nova data das provas: O Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (INEP) comunicou que as novas provas de Ciências Humanas e Ciências da Natureza, para os alunos que foram prejudicados por erros de impressão nas provas realizadas no dia 6 de novembro passado, serão realizadas no próximo dia 15 de dezembro às 13h.

O instituto também informou ainda que segue o trabalho de análise das 116.626 atas dos locais de prova, com o objetivo de identificar os estudantes que, por algum motivo, não tenham substituído as provas com problemas de impressão. Foram identificados, até o momento, 2.817 estudantes, menos de 0,1% do total. Os alunos identificados serão comunicados pelos meios habituais (e-mail, sms, e telefone). Também receberão um novo cartão de confirmação de inscrição com o local onde devem se apresentar. Estes estudantes receberão declaração de comparecimento para justificar eventual ausência do ponto de trabalho após a prova.

· Confirmada a quebra de sigilo: O Ministério da Educação (MEC) afirmou que, segundo informações da Polícia Federal, o caso apurado em Juazeiro (BA), em que duas pessoas são indiciadas por violação de sigilo de um dos temas da redação do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), está circunscrito a um estudante e o procedimento administrativo padrão é a eliminação do candidato do exame. A pena para este tipo de crime pode chegar a seis anos de reclusão.

De acordo com a PF, uma professora municipal da cidade de Remanso-BA, aplicadora da prova no Colégio Ruy Barbosa, teve acesso ao título de um texto cerca de duas horas antes do início das provas, durante abertura do caderno destinado a deficientes visuais. A professora teria passado a informação para seu marido, que pesquisou sobre o tema e ligou para o filho.

Mesmo após esse fato, o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacional Anísio Teixeira (Inep) confirmou que a data de 15 de dezembro do novo Enem para os alunos que tiveram problemas de impressão com as provas amarelas está mantida. O Inep alegou que o sigilo do tema da redação foi mantido, uma vez que a professora indiciada pela Polícia Federal repassou o título de um dos textos motivadores (O que é o Trabalho Escravo). O tema da prova era "O Trabalho na Construção da Dignidade Humana". De acordo com o Inep, a elaboração do tema da redação é feita de forma que um simples olhar sobre o caderno de questões não seja suficiente para identificá-lo. "É preciso uma leitura atenta e acurada".

Coluna “Falando de Educação” - Ano II – Número 73 – 20 de Novembro de 2010

Mais sobre o tema do momento: o ENEM

O tema do momento continua sendo a prova do Exame Nacional do Ensino Médio, nosso conhecido ENEM, que foi aplicada no primeiro fim de semana de novembro. Enquanto alunos de Curitiba e São Paulo aproveitaram o feriado de 15 de novembro para protestar contra as falhas do exame e reivindicar melhores condições no ensino no país, o Ministério da Educação (MEC) já publicou uma página na Internet para que os estudantes que tenham sido prejudicados por erros na folha de respostas (que estavam com o cabeçalho das duas provas trocados) possam solicitar (até 19 de novembro) a correção invertida do gabarito. Maiores informações no site http://sistemasenem2.inep.gov.br/correcaoprova/.

O ministro da Educação, Fernando Haddad, informou que já teve início a sindicância interna que vai apurar qual foi a responsabilidade do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (INEP) no erro de impressão dos cartões de resposta do Exame Nacional do Ensino Médio. O MEC calcula que, até o momento, cerca de 200 estudantes deverão refazer as provas do Enem por causa dos erros de impressão nos cadernos de prova amarelos. Por outro lado, diversas entidades defendem que todos os alunos que tenham se sentido prejudicados pelos erros na aplicação do exame tenham a chance de fazer as provas novamente em caráter opcional. Essa possibilidade, que está sendo descartada pelo ministro, poderia atrasar o calendário das 83 instituições de ensino superior que usam a nota da prova como critério de seleção.

O ministro vem negando veementemente que a credibilidade do exame tenha sido abalada pelas falhas, ressaltando que o número de inscritos aumentou do ano passado para cá e que as falhas são "superáveis". Ele ressaltou que os prejudicados são apenas 0,1% do total. Disse também que nenhum sistema está imune a problemas técnicos e que não se pode colocar a reputação das instituições em dúvida em função de um equívoco. "Ninguém ouviu da parte do Ministério nenhuma acusação a incompetência do setor gráfico. Há a compreensão de que elas fizeram o seu melhor". O ministro afirmou que a data oficial das novas provas para os estudantes que quiserem refazer o teste deverá ser divulgada até o início da próxima semana.

Apesar de toda esta movimentação do MEC, a Defensoria Pública informou que pretende recorrer da decisão que liberou o o Exame Nacional do Ensino Médio. Durante esta semana, o Tribunal Regional Federal - 5ª Região derrubou a liminar que suspendia o Enem. Para tanto, a Defensoria Pública precisa da aprovação da juíza da 7ª Vara Federal do Ceará, Karla Almeida, para que o órgão entre como co-autor, em conjunto com o Ministério Público, na ação que pede a anulação das provas realizadas em novembro. O objetivo da Defensoria é somar forças para garantir o direito de isonomia de todos os candidatos prejudicados com as falhas ocorridas durante a aplicação das provas.

Coluna “Falando de Educação” - Ano II – Número 72 – 13 de Novembro de 2010

Universidades esperam o ENEM para definição sobre seus vestibulares

Me lembro que, no ano passado, nesta mesma época, aqui em nossa coluna, discutíamos sobre o adiamento das provas do Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM) por motivo de vazamento de informações e quebra de sigilo. O ambiente era de ansiedade e preocupação por parte dos estudantes, que não sabiam se o exame seria utilizado pelas principais universidades federais do país que já haviam feito a opção por usar, de diferentes formas, as notas do maior exame de avaliação do ensino médio do país como parte do processo de seleção de seus alunos. No final das contas, muitos alunos saíram prejudicados pois várias faculdades e universidades desistiram de usar as notas do ENEM, pois não haveria tempo hábil devido ao apertado cronograma das instituições.

Pois bem, aconteceu de novo ! Estamos nós aqui, um ano depois, descrevendo uma situação semelhante de preocupação, ansiedade e indignação dos estudantes diante de mais problemas envolvendo o ENEM ! Desta vez, há alguns boatos sobre vazamento de informações, principalmente em relação ao tema da redação, mas eles ainda não foram confirmados. O problema mais grave detectado foi com relação aos candidatos que fizeram a prova amarela no primeiro dia, que tiveram o caderno de questões com defeito, faltando algumas questões e repetindo algumas outras. Problemas com o cabeçalho do caderno de resposta também aconteceram, mas o MEC minimizou o problema afirmando que os todos os fiscais estavam cientes do erro e alertaram os candidatos a tempo de evitar a marcação errada do gabarito. O fato é que na última segunda-feira, a Justiça Federal, a pedido do Ministério Público Federal no Ceará, determinou, em caráter liminar, a suspensão do ENEM em todo o País.

O que se depreende de mais esta confusão é que o ENEM tem tudo para ser um instrumento importante de avaliação e para ser a porta de entrada do ensino superior do país, mas vem perdendo credibilidade a cada ano devido a problemas operacionais e de logística. E a pergunta que fica é: quando o MEC vai conseguir realizar um concurso de grandes proporções com segurança, eficácia e confidencialidade ?

O que assistimos agora é uma queda de braço entre a Justiça e o MEC. A primeira quer a anulação de todo o processo, com novas provas para todos os candidatos. O segundo defende a ideia de que foram poucos os prejudicados e não há motivos para anulação e realização de um novo exame. Segundo o Ministério da Educação, apenas os cerca de 1% de candidatos prejudicados deveriam fazer novo exame. A Justiça discorda deste ponto de vista, assim como a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) que já se manifestou alegando que novas provas apenas para um grupo de alunos fere o princípio da isonomia que deve prevalecer em concursos com este âmbito, ou seja, desta forma não estarão sendo dadas as mesmas condições a todos aqueles que disputam as vagas para as universidades.

Seis importantes universidades, que utilizam a nota obtida pelo candidato no Exame Nacional do Ensino Médio 2010 para substituir a primeira fase dos vestibulares, aguardam uma posição definitiva do Ministério da Educação e da Justiça para decidirem se o desempenho no Enem será usado no processo de seleção. Por enquanto, afirmam que não há alteração nos critérios anteriormente estabelecidos. São elas: a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), a Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), o Instituto Federal de Pernambuco (IFPE), a Universidade Federal do Pará (UFPA), a Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) e a Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).

Trazendo o problema para mais perto de nós, A Universidade Federal de São João Del Rei (UFSJ), que utiliza o ENEM como opção para o candidato substituir a nota de conhecimentos gerais, afirma que, até o momento, não mudará nada e irá utilizar o ENEM como programado. "Caso o MEC aplique uma nova prova, é possível que haja um atraso na divulgação dos resultados do vestibular", disse o presidente da Comissão de Vestibular da UFSJ, Hewerson Zansávio Teixeira.

Por sua vez, a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) também manterá adesão do ENEM ao vestibular, pois acredita que tudo será resolvido e não haverá nenhum problema. De acordo com a assessoria de imprensa da universidade, o MEC deve pedir a cassação da liminar de suspensão e, provavelmente, uma parte dos alunos irá refazer a prova. Vamos esperar os próximos capítulos de mais uma novela envolvendo a educação de nosso país !

Coluna “Falando de Educação” - Ano II – Número 71 – 06 de Novembro de 2010

Sala cheia de alunos justifica baixo aprendizado ?

Sempre gostei muito de ler, principalmente sobre tecnologia e educação, minhas duas paixões. Sempre que leio alguma coisa sobre educação que me chama a atenção e acredito ser de relevância eu procuro guardar e, caso haja oportunidade, uso aqui neste espaço destinado a este tema.

Há algumas semanas atrás li um artigo que falava sobre uma pesquisa realizada pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) indicando que o Brasil está entre os piores no ranking de salas de aula lotadas, apesar de a situação no país ter melhorado de uns tempos para cá. Segundo a edição 2010 do estudo, que analisou a situação educacional de 39 países, incluindo convidados como Brasil e Rússia, as turmas de ensino fundamental no país têm, em média, seis alunos a mais do que os países ricos. Nas classes de 5º a 9º ano das escolas brasileiras há, em média, 30 alunos, enquanto nos demais países analisados, são 24 - Rússia e Eslovênia estão na casa dos 20 estudantes. Em anos iniciais do ensino fundamental (1º a 5º ano), a média é de 25 alunos por sala, sendo de 21 nos demais. Os dados são de 2008 e consideram rede pública e privada.

Pensei então em usar estes números e estas estatísticas todas para chamar a atenção para este fato, que talvez seja um dos problemas do ensino brasileiro: salas de aulas cheias significam condições menos propícias para o aprendizado dos alunos, tendo como conseqüência baixos índices de aproveitamento escolar.

Acontece que esta semana li outra reportagem que me fez pensar melhor sobre o assunto. Por isto resolvi trazê-la também para nossa coluna. É uma matéria sobre um professor de física que ministra aulas para cursos pré-vestibulares em Salvador, Bahia. Ele declara que sempre deu aulas nestes tipos de cursos e normalmente as turmas costumam ter de 250 a 300 alunos. "É praticamente um auditório e na época de revisão para o vestibular, os grupos chegam a ser de 1,2 mil a 1,5 mil pessoas”, diz o professor.

Ao contrário do que se pode imaginar, apesar da quantidade enorme de estudantes e ser a Física uma disciplina tão detestada pelos alunos, o professor Ednaldo Santos, conhecido como Naldo, é amado pelos estudantes, sendo um dos mestres mais homenageados do Orkut, com quase 7 mil membros em uma das comunidades que leva o seu nome. E olha que ele garante que há pelo menos outras cinco dedicadas a ele na rede social.

Perguntado sobre seu sucesso, Naldo diz que tenta deixar as classes mais dinâmicas buscando a participação do aluno, dando exemplos práticos do cotidiano e cantando músicas com a turma, em ritmo de forró e lambada. Para quem também precisa prender a atenção de centenas de jovens diariamente, ele dá as dicas. "Primeiro, é necessário ter muita paciência, depois, gostar do que se faz e, principalmente, ver o aluno como seu, como uma questão pessoal mesmo", explica.
Seu trabalho é recompensado pela completa tietagem dos futuros universitários. Muitos já lhe disseram que passaram a gostar da disciplina depois que o conheceram e houve ainda quem tenha trocado de curso na hora do vestibular por causa do seu ensino. Na comunidade "Professor Naldo (Física)", um dos estudantes até lançou em 2008 a proposta de levá-lo ao Programa do Jô, na Globo. Depois de páginas e páginas de respostas de outros internautas por dois anos, dizendo que tinham enviado e-mails para o programa com o mesmo pedido, houve resultado. A produção entrou em contato com Naldo há algumas semanas, e a aparição na TV vai ser considerada.

Analisando sua trajetória de vida, percebe-se que suas declarações não são da boca para fora não. Quando garoto, planejava estudar Engenharia ou Medicina. Porém, há 32 anos atrás, quando foi chamado para substituir um professor de férias, foi só rabiscar as primeiras fórmulas no quadro negro para o garoto repensar o seu futuro profissional. Hoje, divorciado, ele tem dois filhos e uma noiva. Diz que não está sobrando tempo para nada, pois se dedica inteiramente ao vestibular que está chegando e à revisão que vem fazendo com seus alunos. "Pretendo ir ao programa do Jô sim e até me casar. Quero ver se acho um tempo para isso tudo", ri o professor.